O Arranca Corações # 304 “Catmandu”

(…) Trying to describe Kathmandu is like making a cross-section of sky and clouds, indefinable as the mysterious blue which hovers above our ancient memories, everchanging as the cloudforms advancing over the valley; dreams of dragonclaws dissolving like sugar in the oracular waters of oriental wisdom only to reform in great mushrooms of future holocaust. Endless cycles of Death and Rebirth figure everywhere in the storied pagodas, statues of Gods encrusted with orange puja powder or brass figures shining like mirrors from the million hands which do daily homage to the cosmic spirit. There where the common greeting is Namaste (I bow down to the God which is in you), where the dawn comes up over the peaks of crystal and ice hastened by the sound of bells ringing everywhere. And the great turning wheels of the Tibetans keep constant reign over the balance of an errant planet where even the most humble carrier in rags walking over the icy moraines demonstrates that true dignity is born of poverty and can never die under an unlittered sky. I remember ripped prayer flags flying in the mountain wind and suddenly there was snow. (…)

Ira Cohen, excerto do texto “Kathmandu Dream Piece”, publicado em Friction 10, Verão 1996

01 Catmandu 15 de Agosto 2018.

Catmandu, Nepal, 15 de Agosto de 2018

Na madrugada de Sábado para Domingo, dia 09 de Setembro, da 01:00h às 02:00h da manhã, vai para o ar mais uma emissão d’O Arranca Corações.

A próxima emissão deste programa vai ter como tema central o Nepal. Têm sido muitos os estrangeiros que têm visitado este país desde tempos antigos. Entre os visitantes mais famosos encontram-se um monge chinês chamado Huyen Shang (que escreveu uma descrição do vale de Catmandu), o imperador indiano Ashoka (que erigiu uma torre em Lumbini, terra natal do Buda), e a sua filha Charumati. No entanto, não existem dados sobre a chegada de europeus a este território até ao aos inícios do século XVII. Em 1628, um jesuíta português, Padre João Cabral, chegou a Catmandu. O religioso foi recebido pelo então monarca Laxminarasing Malla, que lhe ofereceu uma salva de cobre e permitiu-lhe pregar o cristianismo nos seus domínios. Muito provavelmente, João Cabral foi um dos primeiros europeus a chegar ao Nepal. No decurso das últimas décadas a sua capital, Catmandu, afirmou-se como um importante centro telúrico e espiritual para as inquietas mentes ocidentais. Miríades de criadores têm procurado inspiração nesta capital asiática, situada entre a Índia e o Tibete.
Esta transmissão é o resultado de uma visita ao Nepal, efectuada no passado mês de Agosto, pelo que seleccionei um conjunto de artistas que, pelo menos a determinada altura do seu percurso, foram influenciados pela cultura nepalesa. São eles: Angus MacLise (o músico norte-americano, antigo membro dos Velvet Underground que residiu e morreu – em dia de solstício de Verão – neste país); Genesis P-Orridge (com os seus Psychic TV. No início da década de 1990, o músico britânico mudou-se para o Nepal, no sentido de prestar ajuda humanitária à população local); Current 93 (claro que uma figura como David Tibet não poderia escapar incólume aos encantos do país onde nasceu o Buda); Amon Düül II (a lendária banda alemã, responsável pela divulgação do antigo reino dos Himalaias junto da juventude contra cultural da década de 1970. O tema “Deutsch Nepal” atesta esse papel seminal); Deutsch Nepal (refiro-me a uma das velhas glórias da editora sueca Cold Meat Industry, que obviamente usurpou – e muito bem, diga-se de passagem – a sua designação à banda teutónica anteriormente referida); Svasti-ayanam (um dos muitos alter egos do sueco Peter Andersson, que neste projecto em particular explora as sonoridades rituais do Nepal e do Tibete); Weltensprung b. Kaiserwetter; Scanner e ainda Bonnacons of Doom (em 2015, estes três projectos musicais integraram a iniciativa MITRA Music for Nepal, no sentido de contribuírem com ajuda financeira no seguimento do terramoto e subsequente devastação que ocorreu nesse mesmo ano).

Os meus caros ouvintes podem acompanhar a transmissão do programa através da seguinte rede de emissores FM: 89.2 FM (Grande Porto), 94.8 FM (Oeste), 96.0 FM (Ribatejo), 105.6 FM (Alentejo), ou em http://www.golo.fm/dnh.

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