In Memoriam Pierre Henry

Há já algum tempo que não me dou ao trabalho de escrever neste espaço, agora quase unicamente dedicado à promoção d’O Arranca Corações. Hoje abro uma excepção para dar nota da morte do compositor francês Pierre Henry. A notícia apanhou-me desprevenido, apesar dos seus longevos 89 anos de idade. A infausta nova invadia o pequeno ecrã televisivo às minhas 9 horas da manhã timorenses. Uma cortesia do canal France 24, o mesmo que na semana passada quase me deixou emocionado com a transmissão das exéquias prestadas ao ex-chanceler alemão no Parlamento Europeu, e que no decurso da semana que agora finda também me deu conta do passamento de Simone Veil.

Pierre Henry

Pierre Henry

Quanto a Pierre Henry, “conheci-o” em 1999 (o mesmo ano em que “travei conhecimento” com outros dois gigantes: o sueco Rune Lindlblad e o finlandês Einojuhani Rautavaara). A introdução ao universo musical de umas figuras-chave da música dita concreta concretizou-se ao som de Le Livre Des Morts Égyptien, uma obra enigmática bem ao meu gosto de jovem melómano engajado na exploração das sonoridades ditas “difíceis”. A imagética do álbum também caía que nem ginjas na minha faceta de explorador (se calhar, o termo investigador é mais adequado) das coisas ditas ocultas. Posteriormente, escutei outras obras do compositor. Infelizmente, nenhuma me preencheu tanto como Le Livre Des Morts Égyptien. Dizem que não há amor como o primeiro
Enquanto escrevo estas linhas não ouço o compositor gaulês, mas sim Eliane Radigue, compositora que trabalhou com Henry no decurso da década de 1960. A emissão # 249 d’O Arranca Corações que consiste na transmissão integral da peça Transamorem – Transmortem, é agora dedicada à memória de Pierre Henry, na esperança de que a energia veiculada por esta composição auxilie a sua alma em trânsito pelos diferentes estágios pós-vida. Tenho a certeza que Henry apreciaria este acto de vontade. Resquiciat in Pace, Monsieur Pierre Henry.