Bibliofilia # 35 “Como nasceu Timor-Leste?”

“Os problemas em análise não podem prescindir do inestimável contributo disciplinar das Teoria das Relações Internacionais nas questões identitárias, evidenciando como o caso de Timor-Leste é uma ilustração cabal dos efeitos das alterações sofridas no sistema internacional no período Pós-Guerra Fria e dos respectivos efeitos na dinâmica dos actores internacionais.”

Nuno Canas Mendes

800px-lospalos_klein

Sacred house (lee teinu) in Lospalos, photo by J. Patrick Fischer

“Como nasceu Timor-Leste?”, de Nuno Canas Mendes, Centro de Estudos do Sudeste Asiático, 2005.
Este é uma das leituras mais estimulantes que tive oportunidade de fazer nos últimos tempos. O autor, Nuno Canas Mendes, parafraseando o título de uma obra de Damião Peres publicada em meados do século passado, pretende aqui averiguar o processo de gestação daquele que é comummente designado como o primeiro país do novo milénio.
Nas palavras do autor: “O principal objectivo deste livro é demonstrar que a construção da identidade do Estado de Timor-Leste é um processo multidimensional, dinâmico e genealogicamente definível que tem de ser entendido no contexto das relações internacionais do período Pós-Guerra Fria, assim como num cenário histórico em que as raízes culturais se vieram justapor aas influências coloniais portuguesa e indonésia e a administração internacional das Nações Unidas. Foram estas estruturas e forças que se conjugaram para a formação do nacionalismo e da vontade colectiva de erguer um Estado e uma identidade nacional, cujo projecto constitutivo é aqui descrito, nas suas potencialidades e contingências, através dos seguintes tópicos: fronteiras e raízes culturais (especialmente o conceito tradicional e metafórico de Casa, factores e formas de mobilização colectiva (mitologia, propaganda nacionalista e organização da Resistência, Igreja Católica, língua, movimentos juvenis, “heróis” e culto da personalidade, formação de estereótipos pata povo); difusão e inculcação de representações de um projecto nacional (movimento de unidade nacional – do CNRM ao CNRT, organização de um sistema educativo e das forças armadas, eleições, sondagens e relatórios, política externa e relações regionais, multilaterais e bilaterais).