Bibliofilia # 32 “Dieu d’Eau”

“Il semblait donc que, vu au travers de la métaphysique et de la cosmologie dogon, le Zodiaque des méditerranéens pouvait s’expliquer. Mais le Blanc ne se faisait aucune illusion sur l’accueil que recevrait une telle argumentation de la part de certains spécialistes accrédités dans les milieux choisis de l’érudition. Certes, il y avait de consolantes exceptions : de brillants esprits, voués pourtant aux études classiques, s’ouvraient avec étonnement et sympathie aux civilisations lointaines. Des amateurs éclairés, venus au Noir par l’art, des philosophes hardis, venus aux spéculations inhabituelles se penchaient passionnément sur ces problèmes. Mais ils étaient perdus dans la foule.”

Marcel Griaule, Dieu d’Eau

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“Dieu d’Eau ”, de Marcel Griaulle, Fayard, 1996.
Um clássico da etnologia contemporânea. Texto fundador que, através da análise minuciosa da cultura Dogon, faz descobrir a originalidade da «mentalidade primitiva». Mircea Eliade, o grande historiador das Religiões, em Origens: História e Sentido na Religião, fez o seguinte comentário à obra de Marcel Griaulle: “Num livro fascinante, Dieu d’Eau (1948), Griaulle apresentava as tradições mitológicas esotéricas dos Dogon. O livro tem tido consequências consideráveis para a apreciação das «religiões primitivas»; revelava uma capacidade espantosa de especulação sistemática, e não as lucubrações pueris que seriam de esperar de uma «mentalidade pré-lógica»; revelava também a insuficiência da nossa informação relativamente ao verdadeiro pensamento religioso dos «primitivos», porque Griaulle só foi iniciado na doutrina esotérica depois de ter feito repetidas estadas entre os Dogon, e mesmo assim só graças a uma série de circunstâncias felizes. Somos levados, portanto, a suspeitar de que a maior parte dos escritos sobre «religiões primitivas» apresenta e interpreta quase exclusivamente os aspectos exteriores e menos interessante”. Não é preciso acrescentar mais nada, pois não?