Bibliofilia # 29 “A Escrita da História”

“An absence of meaning opens a gap in time.”

Michel de Certeau

29-a-escrita-da-historia

“A Escrita da História”, de Michel de Certeau, Forense – Universitária, 1ª Edição brasileira, 1982. Tradução de Maria de Lourdes Menezes. Título original, “L’Écriture de l’Histoire”.
Esta colectânea de estudos traça simultaneamente o itinerário de um historiador e o percurso de uma interrogação. Partindo de um episódio da História religiosa da Europa moderna, o autor dedica-se a caracterizar as diversas operações que regulam a escrita da História: a fabricação de um objecto, a organização do espaço temporal, e a encenação de um relato. A História, no entanto, também é definida pelo que exclui, pelo que atira para as margens. Solidária com a escrita, exorciza a oralidade para fazer desta o espaço daquela, quer se trate da voz do selvagem, presente nos primeiros relatos etnográficos, ou das palavras proferidas pelos endemoninhados, na França do século XVII. Disciplina científica, a História, rejeita a ficção: desta forma, para reler um a história freudiana – e o romance de Freud sobre Moisés –, Certeau, procura num estimulante ensaio, articular a teoria e a ficção. Trata-se de apesentar um modelo de inteligibilidade que questiona o trabalho do próprio historiador. Uma obra crucial de um dos pensadores mais estimulantes do século XX.