Bibliofilia # 28 “René Guénon ou La sagesse initiatique”

“Deux voies d’accès à l’ésotérisme paraissent aujourd’hui possibles. La première est celle que Guénon a voulu tracer avec rigueur en retrouvent les enseignements des Anciens, notamment ceux de L’Inde, et en les proposant aux Occidentaux, tout en mettant en évidence le caractère « non-traditionnel», «dangereux» ou «illusoire» de la science et de la philosophie des derniers. Tout ce que je peux dire, c’est que cette voie n’est pas, ou plutôt, n’est plus la mienne, même si je persiste à penser que le Bhagavad-Gîta par exemple est une œuvre admirable et d’un pouvoir de conversion et si j’estime que les analyses guénoniennes sont venues à point nommé mettre une indispensable rigueur dans le fatras occultiste du XIXe siècle.”

Raymond Abellio

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“René Guénon ou La sagesse initiatique”, de Lucien Méroz, Plon, 1962.
Louis Pauwels e Jacques Bergier, no seu livro O Despertar dos Mágicos (uma introdução ao realismo fantástico, segundo os autores), originalmente publicado em 1960, afirmavam que o Nacional-socialismo consiste no guenonismo mais as Divisões Panzer. Esta expressão, ainda que estigmatize o autor francês (pelo menos aos olhos de um certo público New Age), não consegue infundir grande dano naquele que é um pensamento sistematizado de forma sólida e inabalável em muitos dos seus aspectos centrais.
Guénon é efectivamente o grande pensador da corrente Tradicionalista, cujas linhas mestras assentam nas reflexões em torno da Philosophia Perennis, da Contra-iniciação, e da Involução que caracteriza o actual ciclo em que a Humanidade se encontra submersa: a idade das Trevas (Kali Yuga).
As três etapas da sua vida, que percorreram os trilhos do Ocultismo, Catolicismo, e finalmente do Sufismo, com a sua conversão ao Islão, são abordadas nesta pequena obra de Lucien Méroz, a qual contempla uma espécie de anexo com as opiniões de autores como André Gide, Luc Benoist, René Daumal, e Raymond Abellio, relativas ao autor de A Crise do Mundo Moderno. Uma boa introdução ao pensamento guénoniano.