Shirley Collins – “Lodestar”

(…) “It was David Tibet, who kept nagging at me to sing, that got me started again, “ she concedes. “And also Pip pointing out, when I was questioning my old voice, that all the singing that I love best, the field recordings, are sung by old people. He said “Stop being so vain. What have you got to lose? So, ‘Sod it’, I thought, ‘Let’s give it a go’. And with Ian’s accompaniments and presence on stage, I managed to get go again. Also, I’m a bit fed up with this anodyne singing that’s around. And yes, and such was an encouragement, but the vain part of me wishes it had happened earlier when I was younger and didn´t have a bad back!” (…)

Shirley Collins, citada por Stewart Lee no pequeno ensaio que acompanha a DELUXE EDITION de “Lodestar”

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As duas ou três pessoas que verdadeiramente se interessam pelas minhas actividades certamente terão constatado que o ano que agora finda foi mesmo muito preenchido. Trabalhei imenso, tentando sempre dar o meu melhor. Não estranharão pois a outorga evidenciada no gesto soberano que é uma auto-prenda. Foi no passado mês de Novembro, numa deslocação a Lisboa, que em boa hora decidi adquirir “Lodestar”, simplesmente o melhor álbum de 2016.
A Shirley Collins é uma senhora apenas um ano mais nova que a minha mãe. E, para quem não sabe, é a maior cantora folk de todos os tempos e uma das principais responsáveis pelo Revivalismo Folk Inglês das décadas de 1960 e 1970. Deixou de cantar há 38 anos, quando ainda estava nos seus quarentas. Diz-se que um desgosto amoroso esteve na origem de uma disfonia (expressão médica que significa alteração na produção da voz). Recordo-me de em criança ter visto um documentário sobre uma tribo que cegava uma determinada espécie de aves para que estas cantassem “melhor”. Talvez que o sofrimento (e a ausência de “algo”) possua mesmo a misteriosa capacidade de sublimar o canto. Porque, de facto, é assim que Shirley Collins se apresenta neste álbum – sublime.
“Lodestar” contém alguns temas que foram recolhidos pela própria Shirley Collins e Alan Lomax, e conta com as participações técnicas e artísticas de Stephen Thrower e Ossian Brown – os experimentalistas electroacústicos que dão pelo nome de Cyclobe (o pessoal do Industrial sempre em grande e sem preconceitos taxonómicos). Uma última nota vai para o chilrear de passarinhos, que polvilham de forma maravilhosa alguns dos temas. Este é apenas um detalhe que não passará despercebido aos fãs mais refinados dos Coil.
Acreditem ou não, como já referi anteriormente, este é o melhor álbum de 2016. Por hoje é tudo. Fiquem bem, fiquem com “Death And The Lady”.