Bibliofilia # 18 “A Agonia de Eros”

“In the course of general acceleration and hyperactivity we are also losing the capacity for rage”

Byung-Chul Han, The Burnout Society

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“A Agonia de Eros”, de Byung-Chul Han, Relógio D’Agua, 1ª Edição, 2014. Tradução de Miguel Serras Pereira. Título original, “Agonie des Eros”.

É oficial. Byung-Chul Han é considerado o filósofo da moda (bye bye Slavoj Žižek. Para além disso é fotogénico que se farta. Uma espécie de Mishima pós-moderno). Nascido na Coreia do Sul, país onde estudou Metalurgia, Han, mudou-se na década de 80 para a Alemanha. Neste país, estudou Filosofia e Literatura Alemã. Actualmente é professor de Filosofia na Universidade das Artes de Berlim.
Depois de ter visto algumas das suas obras nos escaparates livreiros, lá me decidi a tomar contacto com o seu pensamento. A leitura de A Agonia de Eros (um volume finíssimo, composto por apenas 58 páginas. Aliás, todas as suas obras, pelo menos as editadas em Portugal, são assim) confirmou aquilo que eu já suspeitava. Esta é “filosofia” para as massas. Não que isto tenha nada de errado, é apenas uma forma mais erudita de literatura de auto-ajuda. O autor, ao longo de 7 pequenos ensaios (Melancolia, Não poder poder, A mera vida, Porno, Fantasia, A Política de Eros, e O fim da teoria), desvela um olhar desiludido sobre a sua contemporaneidade, caracterizada por uma sociedade refém da tecnologia (nomeadamente dos simulacros digitais). A alienação proporcionada pela tecnologia, segundo o autor, encontra-se na origem de um egotismo exacerbado, autista, o qual, por sua vez, origina o desfasamento com o Outro. Ainda assim, mais que um neo-ludita, Byung-Chul Han, é um “arqueólogo das emoções”. O ensaio mais brilhante deste livro é o primeiro, Melancolia. Ao longo de apenas 7 páginas, o pensador reflecte sobre a impossibilidade de amar por parte dos portadores da bílis negra, numa exposição genial alicerçada no filme homónimo de Lars von Trier.
A análise da Mera Vida do indivíduo sôfrego, votado ao culto da hiperprodução e do rendimento desmesurado, e o seu subsequente afastamento de Eros, faz com que a importância deste livro seja bem maior que o seu número de páginas. Não está ao nível de uma outra pequena grande obra, As Lágrimas de Eros, de Georges Bataille, é certo. Ainda assim, a sua leitura vale bem a pena.
Apenas uma “nota negativa” pelo facto de uma das mais emblemáticas casas editoriais do país ter cedido aos ditames mercantilistas, optando pela adopção (adoção?) do novo acordo ortográfico. Não havia necessidade.