Them Are Us Too – “Remain”

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Por norma raramente faço aqui referência a discos cujo lançamento não seja relativamente recente. Hoje abrirei uma excepção, até porque o disco em causa apenas foi descoberto por mim há apenas três ou quatro dias. Infelizmente por razões nada felizes. Os Them Are Us Too autodefinem-se como uma Queer Femme Darkwave Band. Oriundos de Santa Cruz, Califórnia, são constituídos por Kennedy Ashlyn e Cash Askew. Esta última foi uma das 36 vítimas do incêndio ocorrido num armazém de Oakland no passado dia 2 de Dezembro.

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Cash Askew

O álbum Remain, editado em 2015, é uma autêntica pérola para os saudosistas da era dourada dos Cure (fase Desintegration) e dos Cocteu Twins. A musa Elizabeth Fraser, ainda que não conste das liner notes, é, obviamente, a figura tutelar deste duo. As suas melodias, nostalgicamente tingidas do negro dos anos oitenta, possuem o condão de transportar o ouvinte para uma dimensão bem distanciada dos “sons da moda”, nomeadamente daqueles milhares de bandas que disfarçam as suas fragilidades artísticas com o “efeito Cher”.Nos Them Are Us Too está lá tudo aquilo que melhor definiu a vanguarda dos anos 80: o corte de cabelo, as roupas com motivos florais à la Robert Smith, as poses melodramáticas com vista a enaltecerem um sentimento de abandono e melancolia. Mas, e o mais importante de tudo, é que para lá da estética os Them Are Us Too conseguem, ainda assim, evidenciar um certo cunho de originalidade, algo que apenas senti em 2013 com o Restless Idylls das Tropic of Cancer.
Morre jovem o que os Deuses amam, eis o preceito da sabedoria antiga que resume a experiência terrena de Cash Askew. Para fruição dos restantes mortais fica este Remain. Escutai-o na ligação que se segue.