Bibliofilia # 17 “Jiří Kolář”

“Love by purity/ truth by obviousness/ sorrow by genuineness/ that when you ask after man/ you must ask after mystery/ that when you look at yourself/ you see nothing”

―  Jiří Kolář

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Jiří Kolář

“Jiří Kolář”, Giancarlo Politi Editore, 1986. Traduções de Paul Wilson (inglês), Konrad Schäuffelen (alemão), Zdeňka Štůlová (italiano).
O checo Jiří Kolář (1914 – 2002) é uma descoberta muito recente, facto que denota o meu quase total desconhecimento dos artistas mais significativos que integraram as vanguardas do Leste europeu. O livro em causa, redigido na primeira pessoa e profusamente ilustrado, veio ter-me às mãos num alfarrabista do Porto, enquanto eu passeava o olhar pelos despojos de uma bibliófila, que presumo recentemente falecida.
O percurso de Kolář iniciou-se com a publicação, em 1941, da colecção de poemas Křestní list (Certidão de Nascimento), a qual evidencia elementos existencialistas do Skupina 42 (um colectivo de poesia checo surgido no final da década de 1930, que privilegiava o enfoque nas pulsões existencialistas de uma classe operária enclausurada pelas rotinas diárias. Uma década depois, em 1953, as autoridades comunistas descobriram o manuscrito de Prométheova Játra (O Fígado de Prometeu) à guarda de Václav Černý, também ele um membro do Skupina 42, circunstância que levou Jiří Kolář ao cárcere por um período de nove meses.

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Este autodidacta, poeta e tradutor, veio a desempenhar posteriormente um papel de enorme relevo no panorama artístico do seu país. O seu trabalho gráfico, efectuado sobre a forma de colagens (reportage, prolage, magritage) baseava-se nos princípios Dadaístas, evidenciando ainda influências Construtivistas. Com um percurso biográfico atribulado, tal como seria de esperar de uma mente inconformada debaixo do jugo totalitário estalinista, Kolář é um artista que merece ser (re)descoberto.