Bibliofilia # 10 “O Santo Condestável – Novas alegações do Cardeal Diabo”

“O Condestável foi sempre um arrogante e um poço de vaidade, um mestre na arte de matar e de triunfar – todos os cronistas o acentuam.
Nossa Senhora terá vergonha de ter ao seu lado e do seu Filho um militar-santo com as mãos sujas de sangue.”

Tomás da Fonseca, O Santo Condestável – Novas alegações do Cardeal Diabo

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“O Santo Condestável – Novas alegações do Cardeal Diabo” (1932), de Tomás da Fonseca, reedição: Antígona, 2009.
Pode um celerado tornar-se santo? Claro que sim. A História está repleta de imensos exemplos bastante elucidativos que por uma questão de economia de tempo (e de higiene mental), não vale a pena aqui listar.
Tomás da Fonseca (1877 – 1968) escritor, político, mestre e pensador da 1ª República Portuguesa, dá-nos conta de um desses exemplos. Este pensador anti-clerical publicou várias obras em que criticava a Igreja e a Religião. “O Santo Condestável – Novas alegações do Cardeal Diabo (1932), é uma obra que “põe os pontos nos ii” relativamente à figura de Nuno Álvares Pereira, beatificado em 23 de Janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV e canonizado como São Nuno de Santa Maria pelo papa Bento XVI às 9h 33min (hora de Portugal) de 26 de Abril de 2009. Este livro, reeditado em 2009 pela Antígona, consiste num um meritório esforço desta afamada editora refractária que não hesitou em associar-se aos festejos da consubstanciação do fundador da Casa de Bragança.  Citando George Orwell: “Os santos devem ser todos considerados culpados até prova em contrário.” São Nuno de Santa Maria não é excepção.