Bibliofilia # 8 “Verão Sem Homens”

“There is no future without a past, because what is to be cannot be imagined except as a form of repetition.”

Siri Hustvedt, The Summer Without Men

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“Verão Sem Homens”, de Siri Hustvedt, D. Quixote, 2011. Tradução de Mário Dias Correia. Título original, “The Summer Without Men”.
Neste livro, Siri Hustvedt envereda pelos domínios da comédia romântica clássica – ainda que esta se apresente aqui com um travo bastante amargo. A história é muito simples: a narradora, Mia Fredrickson, é abandonada ao fim de trinta anos de casamento pelo seu companheiro, que a preteriu em favor de uma mulher mais jovem. Após um esgotamento nervoso que a leva ao internamento num hospital psiquiátrico, Mia tenta a reconstrução do seu Eu fragmentado. Nesse sentido regressa à sua cidade natal, terra em que ainda habita a sua mãe, personagem que apesar se se encontrar recolhida num lar de idosos não deixa ainda assim de cultivar o seu amor pela Literatura, integrando o grupo informal auto-intitulado “Os Cinco Cisnes”. Durante esse Verão, a protagonista administra ainda um workshop de poesia a um grupo de raparigas adolescentes, uma experiência com tanto de enriquecedora como de desilusão perante o género humano.
Ao longo do livro assistimos às diversas fases do processo da individuação de Mia Fredrickson, etapas em que a dissolução do Ego anda por vezes de mãos dadas com a sua Sombra. Em suma, este é um livrinho que apesar de aparentemente simples na sua narrativa, retrata de forma magistral as complexidades da alma humana.