Bibliofilia # 3 “Horizonte Perdido”

“Uma secção que o interessou particularmente era dedicada a assuntos tibetanos: notou diversas raridades, entre as quais o Novo Descobrimento do Grão Cathayo ou dos Reinos do Tibet, pelo Padre António de Andrade (Lisboa, 1626), China, de Athanasius Kircher (Antuérpia, 1667); a Voyage à la Chine des Pères Grueber et d’Orville, de Thevenot; e a Relazione Inedita di un Viaggio al Tibet, de Beligatto. Examinava este último quando notou o olhar de Tchang fixo nele, com expressão de suave curiosidade.

– É talvez um erudito?”

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“ Horizonte Perdido”, de James Hilton, Abril Cultural, 1980. Tradução do inglês por Francisco Machado Vila e Leonel Vallandro. Título original, “Lost Horizon”.
Para tornar esta obra verdadeiramente apelativa faltou apenas a James Hilton (1900-1954) mencionar no excerto em epígrafe outras duas obras: Bestas, Homens e Deuses de Ferdinand Ossendowski e Shambhala de Nicholas Roerich.
O autor britânico publicou esta obra em 1933, inscrevendo desta maneira o seu nome no vasto rol de autores que se deixaram fascinar pelo reino mítico de Shambhala (eu próprio não consegui resistir ao seu encantamento, tendo inclusive já proferido uma comunicação intitulada Ocultismo e Utopia: o Reino Perdido de Shambhala, no dia 22 de Dezembro de 2012, no âmbito do Festival Matanças, no Porto).
Esta obra insere-se no género “Romance de Aventuras”, e narra a história de um grupo de indivíduos que ao fugirem de uma guerra são sequestrados e levados para Xangri-la, a capital de Shambhala. Neste local paradisíaco encontram uma realidade onde a dor, a velhice e a morte assumem um novo significado.
Horizonte Perdido não é uma obra de importância capital, ainda que tenha sido adaptada para rádio (por duas vezes: em 1935 e em 1981), e transposta para o Cinema (em 1937 por Frank Capra, e em 1973, por Charles Jarrott). Ainda assim não deixa de ser um livrinho curioso para todos aqueles que como eu e o Avô Cantigas sentem o apelo irresistível de Xangri-la. (Carlos Alberto Vidal, editou em 1976 um álbum de Rock Progressivo que presta homenagem a esta cidade, ainda que tenha dado um enorme “pontapé na gramática” ao designá-la de “Changri-Lá”). Mas isso, caro leitor, é somente um mero pormenor, pois a única coisa que interessa é que “Perder Xangri-la uma vez é procurar Xangri-la toda a vida!”