José Sampaio (Bruno)

No dia em que se cumpre o primeiro centenário da morte de Sampaio Bruno* encontrei, no âmbito das minhas pesquisas, e por um mero acaso, o recorte de um jornal que reza assim:

(…) Este eminente publicista fez publicar nos jornais o seguinte:
DECLARAÇÃO: “Meus caros collegas do …- rogo-lhes o obsequio de darem publicidade no seu jornal a esta declaração que entendo dever fazer, e é de que, d’esta data em diante, me retiro completa e absolutamente enojado, da vida política portugueza.
Porto, 17 de fevereiro de 1911. – José Pereira de Sampaio.” (…)

SAMPAIO BRUNO*Nascido no Porto a 30 de Novembro de 1857, Sampaio Bruno (pseudónimo de José Pereira de Sampaio) formou-se em Medicina em 1876, tendo frequentado a Escola Politécnica de Lisboa até 1878, altura em que, por falta de saúde, a abandonou. Este facto foi determinante na sua escolha profissional: o jornalismo, a actividade em que se notabilizou. Com quinze anos de idade já colaborava em jornais estudantis como o ‘Laço Branco’, o ‘Vampiro’ e a ‘Gazeta do Realismo’. Publicou o seu primeiro livro, ‘Análise da Crença Crist㠖 Estudos críticos sobre o cristianismo’, no Porto, em 1874. Exilou-se, mais tarde, em Paris, devido à sua participação no movimento republicano, onde escreveu ‘Manifesto dos Emigrados da Revolução Republicana de 31-1-1891’ e ‘Notas do Exílio’ (1893). Regressou a Portugal, tendo participado activamente na luta do Partido Republicano Português contra o regime monárquico. Após a proclamação da República, em 1910, foi nomeado director da Biblioteca Municipal do Porto. Para além de ter colaborado em diversos jornais e revistas, Sampaio Bruno escreveu obras como: ‘Geração Nova’ (1886), ‘O Brasil Mental’ (1898), ‘O Encoberto’ (1904), ‘Os Modernos Publicistas Portugueses’ (1906), ‘A Questão religiosa’ (1907), ‘Portuenses Ilustres’ (1907-1908), ‘A Ditadura subsídios morais para seu juízo crítico’ (1909) e ‘O Porto Oculto obra para servir de remate e conclusão à dos `Portuenses Ilustres´ ‘ (1912). Sampaio Bruno morreu, no Porto, a 11 de Novembro de 1915.