@Amplifest 2015

«Sempre me senti atraído pela fábula que espreita através da fenda do rochedo. O entendimento da existência ubíqua de uma Consciência e de uma Sensibilidade análogas às nossas, humanas, concentradas na imanência ocultada no âmago das COISAS, faz-me arauto de um “misticismo da MATÉRIA”.
As pedras, tal como nós, encontram-se posicionadas numa intersecção infinda de linhas, que se entrecruzam num volteio infinito, no centro de um campo de forças demasiado imprevisível para ser mesurável; e nós, de maneira ociosa, apelidamos os resultados dessas intersecções de Acaso, Coincidência, ou Destino.»

Excerto de “The ANDROMEDA Splinter – a mythical conspiracy”, texto dedicado às memórias de André Masson, Edith Hamilton, Furio Jesi, Gaston Bachelard, Georges Bataille, Marguerite Yourcenar, Louis Lavelle, Pierre Klossowski e Roger Caillois.

The_ANDROMEDA_Splinter Ricardo J. Nogueira Fernandes

“The ANDROMEDA Splinter” por Ricardo J. Nogueira Fernandes

No Domingo passado, dia 20 de Setembro 2015, participei naquela experiência única que é o AMPLIFEST (evento que é, efectivamente, muito mais do que um festival).
Aturdido ainda com “Sacrum Fulgor” (instalação/performance desenvolvida conjuntamente com André Fonseca, na Sé Catedral de Braga, no fim-de-semana anterior), foi com deleite que pisei o palco da Sala 2 do Hardclub, para efectuar a leitura de um texto concebido especialmente para a ocasião.
Como é óbvio, escasseou-me o tempo e minguou-se-me a disponibilidade mental para assistir a muitos dos concertos que elevaram ainda mais o AMPLIFEST. Ainda assim, no Sábado, consegui dar uma espreitadela no concerto de NOVELLER (alter ego de Sarah Lipstate, guitarrista e cineasta nova-iorquina), que me encantou com as sonoridades emanadas a partir da sua guitarra Fender Jaguar. Não perdi (aliás não perderia por nada deste mundo), o concerto de William Basinski, ainda que já tivesse visto um outro concerto (em 2012, na Culturgest Porto) deste mestre do minimalismo ambiental, autor de “The Desintegration Loops”. No Domingo, consegui ainda fruir e imergir na densidade sónica de Stephen O’Malley, fundador de Sunn O))). A finalizar a noite, e porque eu aprecio expressões artísticas algo extremas, pontilhadas por qualquer coisa de inaudito (especialmente se combinarem black metal com noise), fruí ainda do concerto dos Gnaw Their Tongues. Falta apenas referir que no decurso destes dois dias consegui ainda dedicar a minha melhor atenção às leituras borgeanas do meu querido amigo Filipe Silva, bem como maravilhar-me perante as obras de arte criadas por outros dois amigos: João Pais Filipe e Steve Hubback, respectivamente,
Dito isto, aproveitaria este ensejo para deixar aqui um enorme agradecimento aos seguintes indivíduos: Ana Carvalho, André Fonseca, André Mendes, Ângelo Carvalho, Filipe Silva, Helder Godinho, Jaime Manso, João Ricardo, Jonathan Uliel Saldanha, Mónica Ovaia, Nigel Ayers (Nocturnal Emissions), Yvette K. Centeno. (“The ANDROMEDA Splinter – a mythical conspiracy”, nunca  teria sido concebida sem o vosso profissionalismo, apoio e inspiração!).
Um último agradecimento é dirigido ao Ricardo J. Nogueira Fernandes, pela sua representação da minha leitura, aqui reproduzida com o seu consentimento.