“Tiere Menschen und Götter”

‘Nature destroys the weak but helps the strong, awakening in the soul emotions which remain dormant under the urban conditions of modern life.’

Ferdinand OSSENDOWSKI, “Beasts, Men and Gods”

Tiere Menschen und Götter

Hoje apetece-me discorrer um pouco acerca de um livro que já deveria ter lido há muito, mas cuja leitura – sem motivo óbvio, diga-se! – fui protelando ao longo dos anos. Refiro-me à obra “Animais, Homens e Deuses”, do autor polaco, Ferdinand Ossendowki.
Publicado em 1922, este livro, granjeou um enorme sucesso um pouco por todo o mundo, mas, principalmente, nos Estados Unidos da América, nação sempre atenta ao insondável fascínio que procede do continente asiático.
A obra em causa tornou-se uma referência incontornável para doutos exímios naquela especialidade de “Forbidden Scholarship”, em que volveu toda a cosmologia assente sobre a Terra Oca, Vril, Shambhala e Agartha. O próprio René Guénon discute a narrativa de Ossendowski no seu tratado de erudição que é “O Rei do Mundo”.
Ferdinand Ossendowski foi cientista e escritor. As crónicas por si redigidas relatam as suas próprias mortificações no país dos sovietes, vividas no decurso da Revolução Russa dos anos vinte do século passado. A sua vasta erudição, típica de um homem sofisticado e de elevado nível cultural, não o protegeu da ira bolchevique. Perseguido por estes, no âmbito da almejada purga contra-revolucionária, Ossendowski, relata as suas atribulações, legando simultaneamente para a posteridade um documento incrível na medida em que nos permite reflectir sobre a essência da Humanidade e da sua relação com a inóspita Natureza das regiões transiberianas.
O nosso autor conduz-nos, em toada épica (e existencialista), através das infinitas e desoladas pradarias destes territórios ignotos ao olhar ocidental. O caminho é feito de Maldade, Mesquinhez, Ganância, Pestilência, e de Doença (dos humanos e dos animais), sobressaindo a imagem de bandos de aves necrófagas, deliciadas em opíparo festim nos imensos cadáveres depositados no terreno. Mais para o final, contudo, vislumbram-se os domínios tutelados pelo Rei do Mundo

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Por estes dias, socorro-me de uma boa edição francesa, encadernada em tom escarlate. Refiro-me à edição vertida do inglês por Robert Renard, a qual conta ainda com uma introdução da autoria de Lewis Stanton Palen (Librairie Plon, Paris, 1924).