Mitologia da Natureza : Gryllidae

“There are, as is known, insects that die in the moment of fertilization. So it is with all joy: life’s highest, most splendid moment of enjoyment is accompanied by death.”
Soren Kierkegaard

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Na aurora do mundo mítico reinavam originalmente, e sem qualquer partilha de poder, o flamboyant Sol invencível e a tenebrosa Terra-Mãe. Nas ruínas deste mundo moderno, inconsciente da sua história mítica, na minha opinião, somente nos meses de Abril e Maio é possível sentir ainda os ecos desse longínquo duunvirato.
Ontem foi dia de visitar a minha mãe (as maias já floriram e a Noite de Walpurgis é já esta quinta-feira). Sabedora desta minha faceta telúrica, ofertou-me um magnífico grilo da mais bela estirpe germinada em territórios graníticos do Vale do Sousa.
Os grilos (Gryllidae) e as esperanças (Tettigoniidae) (ordem: Orthoptera) partilham com as cigarras o honorável estatuto de músicos do reino dos insectos. Estes pequenos animais fazem parte da minha própria mitologia ctónica, daí decorre o facto de eu lhes dedicar particular atenção como se encontra evidenciado na sereno observar (e celebrar) da cíclica procissão dos equinócios e solstícios, apenas exaltado pela Primavera, na ânsia de voltar a escutar este pequenos seres.

Aquiles

foto por Ana Carvalho

O belo espécime que agora reina lá em casa chama-se Aquiles e sucede no trono a Venâncio II. “Le Roi Est Mort, Vive Le Roi!”