Quid Libet + Conspirators of Pleasure + Harpya

[Sol] Cineclube
CICLO DE CINEMA – Res Nullius / Corpo de Ninguém
Quinta – Feira, 18 Dezembro de 2014 às 21:30h
Rua do Sol, nº172 – Porto

 

Harpyas, em grego, significa “as que raptam”, “as que arrebatam”. No início, foram divindades do vento, como os maruts dos Vedas, que brandem armas de ouro (os raios) e que ordenham as nuvens.
Jorge Luís Borges acerca das “Harpias”, na sua obra “O Livro dos Seres Imaginários”.

harpies from Bulfinch's The Age of FableHarpies from Bulfinch’s “The Age of Fable”

Para a 13ª sessão deste ciclo que toma como mote da sua realização o Corpo (aqui exibido/observado à luz das suas mais distintas taxonomias), decidimos abordar o mesmo através de algumas perspectivas apenas possibilitadas pelo cinema de animação. Assim, a próxima sessão, ao invés do habitual, contará com três filmes que elenco já de seguida:

“Quid Libet” de Gerrit van Dijk (Holanda, 1977, 7.5 min. cor)

Gerrit van Dijk, realizador holandês falecido em 2012, considerava os seus filmes como pinturas animadas. Efectivamente, esta curta-metragem, evidencia totalmente a sua premissa. Quid Libet consiste num encadeamento de vários momentos de transformação, repletos de referenciais eróticos e pornográficos: uma pera que se metamorfoseia em vários traseiros, ou uma figura feminina com os lábios pintados de vermelho, lambendo um gelado que se transforma num pénis, enfatizam o encadeamento contínuo em que assenta este filme.

“Conspirators of Pleasure” (em checo: Spiklenci slasti) de Jan Švankmajer (República Checa, 1996, 85 min. cor)

Em linhas muito gerais, este é um épico carnal que faz jus ao universo surrealista em que se movimenta o realizador checo. Nota de destaque: a utilização singular da técnica stop-motion, “imagem de marca” da sua vasta filmografia.

“Harpya” de Raoul Servais (Bélgica, 1979, 9 min. cor)

Uma curta-metragem do realizador belga, premiada no Festival de Cannes de 1979.
Harpya consiste num delírio surreal sobre um “encontro casual” de um homem com uma criatura mitológica. As “harpias” têm merecido alguma atenção por parte de alguns dos nomes maiores da Literatura, destacando-se, obviamente, a entrada que o escritor argentino Jorge Luís Borges lhes dedicou no seu “Livro dos Seres Imaginários”. Algumas interpretações mais ousadas acerca do simbolismo desta criatura (monstro feminino com corpo de ave e rosto de mulher) estabelecem uma relação directa com o conceito freudiano, “Das Unheimliche”.