Dead Ringers + Window Water Baby Moving

[Sol] Cineclube
CICLO DE CINEMA – Res Nullius / Corpo de Ninguém
Quinta – Feira, 04 Dezembro de 2014 às 21:30h
Rua do Sol, nº172 – Porto

“For me, the first fact of human existence is the human body. But if you embrace the reality of the human body, you embrace mortality, and that is a very difficult thing for anything to do because the self-conscious mind cannot imagine non-existence. It’s impossible to do.”

– David Cronenberg


Muscles du Bassin Region Ano-Genitale  1831
“Muscles du Bassin” Region Ano-Genitale, (1831). Esta imagem ilustra os músculos presentes na zona anal e genital de um adulto. Cóccix, músculo bulbocavernoso, ânus, esfíncter, uretra, etc.

O filme principal desta sessão encontra-se creditado ao incontornável David Cronenberg. A realização de “Irmãos Inseparáveis” remonta 1988 e centra-se nas figuras dois gémeos ginecologistas Elliot e Beverly (Jeremy Irons), que tudo partilham: casa, trabalho, mulheres…
As suas personalidades, embora distintas, parecem complementar-se num só corpo, até que a sedutora Claire Niveau (Geneviève Boujold) se junta num triângulo emocional de geometria instável.
Mestre dum cinema habitualmente cirúrgico, invasivo e profanador do corpo humano, Cronenberg encena aqui uma profunda regressão intra-uterina. Brilhante interpretação de Jeremy Irons que lhe valeu, entre outros, o prémio de melhor actor no Fantasporto de 1989.

dead ringersFotograma do filme “Dead Ringers”

Canadá, EUA; 1988
Drama
111 Min., cor
Idioma: Inglês
Legendas: Português

Como é já habitual, no início das nossas sessões, procederemos à exibição de uma curta-metragem. Desta vez será exibido o filme “Window Water Baby Moving” (1959), realizado por Stan Brakhage. Em Novembro de 1958, Brakhage regista em película o nascimento da sua filha Myrrena. Ao deslocar a acção do filme do ambiente asséptico hospitalar da maternidade para a intimidade da sua casa, o realizador consegue uma poética crua e naturalista que mistura a imagem técnica — tão próxima da obscenidade pornográfica — com a emotividade própria da família no seu espaço de conforto.
Com uma janela como metáfora do despertar para a vida exterior e a água como ambiente essencial, Brakhage representa o pulsar desta transição da placenta para a vida autónoma, numa cadência de puro êxtase ritual.
Um filme inovador e bastante à frente do seu tempo, se levarmos em linha de consideração que a América da época dos Kinsey Reports: “Sexual Behavior in the Human Male” (1948) e “Sexual Behavior in the Human Female” (1953), na altura (e se calhar ainda na actualidade) evidenciava alguns pruridos, normatizando uma certa estigmatização relativamente ao Corpo e seus diversos “usos”.

“Long live the new flesh!”