Vereda Tropical + Como Era Gostoso o Meu Francês

[Sol] Cineclube
CICLO DE CINEMA – Res Nullius / Corpo de Ninguém
Quinta – Feira, 27 Novembro de 2014 às 21:30h
Rua do Sol, nº172 – Porto

cannibals

“(…) pensar o pensamento como algo que, se passa pela cabeça, não nasce nem fica lá; ao contrário, investe e exprime o corpo da cabeça aos pés, e se exterioriza como afeto incorporante: predação metafísica, canibalismo epistêmico, antropofagia política, pulsão de transformação do e no outro.”
– Eduardo Viveiros de Castro, autor de “Métaphysiques Cannibales: lignes d’anthropologie post-structurale”.

“Como Era Gostoso o Meu Francês”, de Nelson Pereira dos Santos.
Brasil,1554. A narrativa deste filme desenrola-se em torno da figura de um aventureiro francês, aprisionado por Cunhambebe, líder dos tupinambás. Enquanto aguarda pelo momento da sua execução, o francês assimila os usos e os costumes da tribo, unindo-se a uma indígena. Através da sua companheira, toma conhecimento da existência de um tesouro escondido e decide tentar a sua sorte, arquitectando a sua fuga. No entanto, a sua companheira recusa-se a acompanha-lo. Após uma batalha com uma tribo inimiga, Cunhambebe, decide consumar a execução, integrando o ritual antropofágico nas comemorações da vitória alcançada pela sua tribo.

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Brasil; 1971
Ficção, Comédia
83 Min., cor
Idioma: Português, Tupi, Francês
Legendas: Português

Este filme será precedido pela exibição da curta-metragem, “Vereda Tropical”, uma película de 1977, realizada por Joaquim Pedro de Andrade. Para uma apresentação desta obra, convido-vos a atentarem já de seguida nas  palavras do próprio realizador brasileiro:
“Crônica de uma tara gentil, encontro lírico nas veredas escapistas de Paquetá, imagética, verbalização e exposição candidamente impudica de fantasias eróticas, o episódio Vereda Tropical, do filme Contos Eróticos, contém a denúncia da vocação genital dos legumes, a inteligência das mocinhas em flor, a liberdade dos jogos na cama, a simpatia pelos tarados, o gosto da vida e a suma poética de Carlos Galhardo. Foi bom fazer como eu espero que seja bom ver brevemente nas telas: educativo e libertário.
O episódio censurado apresenta como atores Cláudio Cavalcânti e Cristina Aché, tendo como coadjuvante principal uma melancia, objeto de amor do principal personagem. Não tem palavrão, não tem mulher nua, e mesmo assim não pode.”
– Joaquim Pedro de Andrade in “VEREDA TROPICAL, DE JOAQUIM PEDRO DE ANDRADE Censurado aqui, convidado para festival em Nova Iorque”, Jornal do Brasil, 25/02/1979.