Sleazy Balance – GRATIA!

(…) Wear sensible shoes and always say “thank you”
Especially for the things you never had (…)

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Ontem, no Picadilly (Porto), celebraram-se os dez anos da morte de John Balance. No entanto (volto a frisar!), não foi prestado qualquer tipo de tributo, pois que, como eu um dia escrevi, logo após um sonho crítico-paranóico daliniano, “No futuro, apenas as divindades serão dignas de serem choradas”. Aliás, “Anyway, people die”, como um dia sabiamente me ensinaram conjuntamente, o Hilmar Örn Hilmarsson ‎ e o David Tibet. Ainda assim, muito assumidamente foi prestada uma homenagem. Foi feita a evocação da memória de uma pessoa ausente na sua forma física. De forma muito genérica, designamos este tipo de manifestações como Evento. Pois bem, o filósofo esloveno Slavoj Žižek – que nos visitará na próxima semana –, numa das suas sete obras publicadas apenas no decurso deste ano, refere-se a este tipo de manifestações como: “… an ocurrence that shatters ordinary life, a radical rupture, the emergence of a religious beliefe, the rise of a new art form, or an intense experience such as falling in love. After an Event, nothing remains the same, even if there are no obvious large changes.” (De forma não menos filosófica, mas muito mais outsider, o autor inglês Collin Wilson, apelidava este tipo de manifestações como “experiências de valor”).
Ontem, assistimos a uma experiência de imenso valor, ainda que não se sintam, para já, muitas alterações na mundividência dos presentes. Alimentou-se, uma vez mais, o Mega-Golem, o mesmo que um dia”…will leak into popular and unpopular consciousness”, contribuindo para a criação de uma verdadeira “Obra de Arte Total”, tal como defendido pelo autor sueco, Carl Abrahamsson.
Na Zona Provisoriamente Autónoma, de onde eu sou proveniente – e às vezes penso que é mesmo um local muito distante daqui (leia-se “hic et nunc”) – entendemos que, os agradecimentos são algo bem mais importante do que uma mera cortesia protocolar. Em detrimento das subserviências hipócritas (apanágio de uma ética da escravidão), orgulhamo-nos de cultivar o porte sereno da aristocracia de Espírito (não da de berço, nem sequer da de sangue azul, pois que uma vez cortada a jugular, o tom escarlate do seu sangue vertido numa mesma poça que o dos plebeus, de forma muita “democrática”, aniquila a verticalidade artificiosa das estratificações sociais que caracterizam os escombros deste Mundo Moderno.
Assim, enquanto co-produtor do SLEAZY BALANCE ~ Chance Encounters Invocation I ~ ov Balance, e em estrita consonância com a educação que em boa hora me foi ministrada, entendo ser chegado o momento de agradecer aos seguintes indivíduos: André Henriques (Ah! Photo); Dayana Lucas; Filipe Silva (HystericalOneManOrchestra); Francisco Laranjeira; João Ricardo (ocp – operador de cabine polivalente); Liliana Claro (Projecto Picadilly), Pedro Barbosa (Projecto Picadilly); Sara Gomes.
Uma nota de agradecimento final é dirigida a todos aqueles que de forma mais ou menos anónima passaram ontem à noite pelo Picadilly.

Gratia!

(…) By working the soil we cultivate good manners
Is to say “please” and “thank you”
Especially for the things you never had (…)


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