Yûkoku + Sebastiane

[Sol] Cineclube
CICLO DE CINEMA – Res Nullius / Corpo de Ninguém
Quinta – Feira, 30 Outubro de 2014 às 21:30h
Rua do Sol, nº172 – Porto

 

« Je découvris que la Voie du Samouraï, c’est la mort.»
Yukio Mishima em « Le Japon moderne et l’éthique samouraï » (Paris, Gallimard, 1985).

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Na próxima quinta-feira, dia 30 de Outubro, será exibido o sétimo filme do ciclo “Res Nullius” que toma por mote da sua materialização uma perspectiva ontológica acerca do lugar do Corpo nos domínios da Sétima Arte.
No meu entendimento qualquer ciclo votado ao lugar do Corpo no Cinema ficaria incompleto sem o nome de Derek Jarman. Aproveitando a celebração do vigésimo aniversário da sua morte, decidimos prestar uma singela homenagem à memória do realizador britânico através da projecção de um dos seus primeiros e mais aclamados filmes. “Sebastiane” data de 1976 e foi realizado conjuntamente com Paul Humfress.
A acção do filme decorre no ano 303 da Era Comum, no período em que o Imperador Diocleciano despromove o seu muito favorito e predilecto capitão da Guarda do Palácio para o posto de mero soldado raso, banindo-o para um local recôndito. Sebastião,  torturado e humilhado, acaba por morrer, adquirindo desta forma o estatuto de mártir. Uma das várias notas de destaque deste filme vai para o facto de ser integralmente falado em latim.

Fotograma do filme Sebastiane de Derek JarmanFotograma do filme “Sebastiane, de Derek Jarman

Reino Unido; 1976
Drama
86 Min., cor
Idioma: Latim
Legendas: Português

A exibição do filme do realizador britânico será antecedida pela curta-metragem intitulada “Yûkoku” (憂国), cujo título pode ser vertido em português como “Patriotismo”. Também conhecida por “Rito do Amor e da Morte”, esta película foi realizada em 1966 pelo escritor nipónico Yukio Mishima e tem por base de inspiração um conto que o próprio escritor publicou em 1961.
Após participação no incidente Ni Ni Roku (1936), o tenente Shinji Takeyama recebe ordens para executar alguns dos seus antigos camaradas de motim. Em gesto de desobediência opta por cometer seppuku (uma forma de suicídio ritualizada), sendo acompanhado neste acto pela sua esposa Reiko. O filme, rodado a preto e branco, contém várias referências ao teatro Noh, estilo particularmente apreciado por Mishima. Este filme, de certa forma premonitório da morte do escritor ocorrida a 25 Novembro de 1970, é interpretado pelo próprio escritor/realizador no papel do tenente Shinji Takeyama e conta ainda com a participação de Yoshiko Tsuruoka enquanto Reiko.

patriotismFotogramas do filme “Rito do Amor e da Morte”, de Yukio Mishima