Nuit et Brouillard + Olympia 1. Teil — Fest der Völke

[Sol] Cineclube
CICLO DE CINEMA – Res Nullius / Corpo de Ninguém
Quinta – Feira, 02 Outubro de 2014 às 21:30h
Rua do Sol, nº172 – Porto

 «Riefenstahl continues her celebration – or is it a search? – of the classic beauty of the human body, the search which she began in her films. She is interested in the ideal, in the monumental. (…) And here is my own final statement on Riefenstahl’s films; If you are an idealist, you’ll see idealism in her films, if you are a classicist, you’ll seen in her films an ode to classicism; if you are a Nazi, you’ll see in her films Nazism. »

Jonas Mekas (The Village Voice, October 31, 1974)

hitler-regisseurin-leni-riefenstahl-gallerypicture-1_900x510

Na próxima quinta-feira, dia 2 de Outubro, será exibido o terceiro filme deste ciclo intitulado Res Nullius, que toma por mote da sua materialização uma perspectiva ontológica do Corpo. O Corpo, esse eterno “objecto” de desejo, mas também de repulsa. Trata-se aqui de lançar o olhar para a sublimação do Corpo, sem esquecer a sua eventual monstruosidade, certamente. Este que é definitivamente, e só, “um certo olhar”, apenas almeja o seguinte: potenciar a reflexão crítica (responsável e assertiva, evidentemente) e, eventualmente, despoletar o debate construtivo. Não existe aqui lugar para “agendas” ocultas, apenas para o Cinema, quer se goste, ou não. E porque, Leni Riefenstahl + Alain Resnais é = a Cinema na sua essência mais pura (não se vislumbrará aqui nenhum vestígio de anarquismo ou reminiscências esotéricas: por isso, o lugar-comum dos fanáticos que muito convenientemente gostam de somar os dois para obter a primária fórmula mágica de = a extrema direita, simplesmente, não pode sequer ser equacionada), não será deixada margem para quaisquer tipos de ambiguidades!
O filme de Riefenstahl, realizado ao serviço do III Reich, será precedido por “Noite e Neblina”, média-metragem de 1955, realizada pelo saudoso Alain Resnais. O Corpo será abordado  nesta sessão  através do prisma glorificador da sua superioridade (que não é apanas apanágio do nazismo, mas que remonta, por exemplo, ao ideal olímpico grego), mas, também, através do prisma da sua supressão, do seu extermínio. Ou seja, propõe-se uma leitura do Corpo enquanto eterno devir cadáver e, no caso concreto de Resnais, enquanto Corpo  despojado da sua essência humana através da subjugação e extermínio identitário (racial, pode também ler-se sem qualquer prurido politicamente correcto).
No final da sessão, caso haja interesse por parte da audiência, haverá ainda lugar para ler e debater alguns excertos extraídos das “Memórias” da própria Leni Riefenstahl, bem como alguns excertos da autoria da norte-americana Susan Sontag, através do seu ensaio “Fascinating Fascism” (1974), texto que integra o volume “Under The Sign of Saturn”.

“Olympia:  Os Deuses do Estádio – 1ª parte”

Alemanha; 1938
Documentário
111 min., P&B
Idioma: Alemão, Inglês, Italiano, Francês, Japonês, Português
Legendas: Português

olympia fest der volkerCartaz do filme “Olympia: Ídolos do Estádio – 1ª parte” (1938)