102 år i hjärtat av Europa

“The anarch knows the rules. He has studied them as a historian and goes along with them as a contemporary. Wherever possible, he plays his own game within their framework; this makes the fewest waves.”

Ernst Jünger, “Eumeswil”

Chegar aos 102 anos de idade com um espírito jovial aliado um raciocínio arguto é algo que não se encontra ao alcance do comum dos mortais, é certo!
Efectivamente, Ernst Jünger nunca foi um indivíduo comum. Ferido 14 vezes no decurso da Primeira Grande Guerra, decidiu abandonar a cena política alemã ainda no decurso dos anos trinta do século passado, optando por uma vida dedicada à entomologia, às viagens e à escrita. A evocação da sua memória é indissociável da sua obra. Sempre que me deparo com o nome do autor recordo-me do eremitério das arrudas (“Sobre as Falésias de Mármore”), bem como da complexa figura que dá pelo nome de Manuel Venator, historiador e barman ao serviço do Condor (“Eumeswil”). E claro, o nome de Ernst Jünger é, também, sinónimo de que é chegada a hora de estugar o passo, em direcção à Floresta.

JungerBenoist1Ernst Jünger and Alain de Benoist, Nice, May 15, 1977

102 Years in the Heart of Europe: A Portrait of Ernst Jünger é um documentário realizado por Jesper Wachtmeister e consiste numa entrevista conduzida pelo jornalista Björn Cederberg no lar do pensador alemão.
Creio que a RTP2, por volta de 1999 ou 2000 (ou seja, no tempo em ainda prestava um verdadeiro serviço público), terá exibido este importante documento na rubrica existente à época e que dava pelo singelo nome de “Artes & Letras”. Recordo-me perfeitamente do dia da sua exibição. Nessa época eu trabalhava na Valentim de Carvalho. Recordo-me que a loja em questão possuía três ou quatro ecrãs de televisão. O programa foi emitido à hora do jantar e eu sintonizei (suscitando algum grau de perplexidade por parte dos meus colegas de trabalho) todos os ecrãs na RTP2 de forma a poder visualizar esta entrevista. Afinal, se toda a gente fazia o mesmo, sempre que havia “bola” na TV, não me assistia a mim também o direito de ver e ouvir aquilo que o Sr. Ernst Jünger tinha para nos dizer?