O Azul do Céu

« Marco Polo stops and sits on a lapis throne by the River Oxus while he is ministered to by the descendants of Alexander the Great. The caravan approaches, blue canvasses fluttering in the wind. Blue people from over the sea – ultramarine – have come to collect the lapis with its flecks of gold.
The road to the city of Aqua Vitae is protected by a labyrinth built from crystals and mirrors which in the sunlight cause terrible blindness. The mirrors reflect each of your betrayals, magnify them and drive you into madness.
Blue walks into the labyrinth. Absolute silence is demanded to all its visitors, so their presence does not disturb the poets who are directing the excavations. Digging can only proceed on the calmest of days as rain and wind destroy the finds.
The archaeology of sound has only just been perfected and the systematic cataloguing of words has until recently been undertaken in a haphazard way. Blue watched as a word or phrase materialised in scintillating sparks, a poetry of fire which casts everything into darkness with the brightness of its reflections. »

Excerto de Blue (Text of a film by Derek Jarman)

640px-IKB_191Yves Klein, “IKB 191”, 1962.

Sempre que penso no mês de Agosto sou invadido por imagens mentais nas quais a tonalidade predominante é o azul.
A responsabilidade desta latência subconsciente terá os seus responsáveis, claro. Devem ser, o Georges Bataille, as férias grandes durante a escola primária, bem como os magníficos e infindáveis dias mediterrânicos das personagens da série espanhola, “Verão Azul” (Parece que existe um encontro anual entre os actores e os seus fãs. Numa dessas edições ainda decido aparecer por lá para dar um abraço ao Piraña (Miguel Ángel Valero), e ao Tito (Miguel Joven).
Como sabeis, a palavra “Sinestesia”, provém do grego συναισθησία, συν– (syn-) “união” ou “junção” e –αισθησία (-esthesia) “sensação”), indicando uma relação entre planos sensoriais diferentes. Desde criança que eu associo cores aos nomes. Agosto, para mim, é azul. Por isso, hoje, dia 2 de Agosto de 2014, só me apetece perguntar “Onde raio é que está o azul do céu!?»

Derek Jarman – “Blue” (original full soundtrack)