Sexualidades – “cake is better than sex?”

‘Fawnicate’ Julia Nobis photographed by Mert Alas & Marcus Piggott for LOVE #8, Fall 2012‘Fawnicate’ Julia Nobis photographed by Mert Alas & Marcus Piggott for LOVE #8, Fall 2012

Quem me conhece sabe com certeza que uma das coisas que não me interessa minimamente (para além do futebol, que abomino) é a vida das outras pessoas. Assim, sempre disse, digo, e continuarei a dizer, que aquilo que casa um faz na sua cama (ou na de outrem), é única e exclusivamente do foro pessoal de cada um. Todavia, posso afirmar que possuo uma vasta bibliografia em torno da Sexualidade. Nutro por esta temática um interesse perecido com aquele que sinto para com as correntes esotéricas e, regra geral, com tudo o que se encontra directa ou indirectamente relacionado com a História da Cultura e das Mentalidades. Assim, não estranhem, o facto de (no dia em que eu desapareça) poderem vir a encontrar na minha humilde biblioteca títulos como: “ A Metafísica do Sexo” de Julius Evola, “Sexual Behavior in the Human Male” e “Sexual Behavior in the Human Female”, ambos parte dos Kinsey Reports, alinhados na mesma estante ao lado de “The Hite Report on Men and Male Sexuality” da autoria da feminista Shere Hite, ou ainda “O Pénis e a Desmoralização do Ocidente”de Jean – Paul Arone e Roger Kemp, ou até, apenas para dar um último exemplo, “Geschlecht und Charakter” do judeu alemão Otto Weininger. Vamos ficar por aqui, ok?
Ainda assim, não posso deixar de ficar um pouco consternado (e eu até já vi muitas coisas um pouco por todo o mundo, modéstia à parte) com uma notícia publicada no Jornal Público, pasquim que me parece pretender fazer concorrência directa com a revista “Maria”. A notícia em causa é assinada por Amanda Ribeiro e intitula-se “Assexuais: não sentem atracção sexual e são felizes assim”. Pois bem, até aqui nada de mal, é certo. As coisas, na minha humilde opinião, mudam de figura quando lemos o texto em causa. Agora, vou ser mau, muito mau mas quase que se poderia falar de “Fat Exploitation”. Quando lemos este texto pseudojornalístico, centrado na individualidade adiposa de uma jovem de 18 anos, constatamos que a mesma “padece para a santa casa” ou então é bisneta do grego Onassis e vive enclausurada na redoma de vidro, onde termos como “bullying” ou “ciber bullying”, se encontram indexados ao léxico do proibido.  Tremi de medo (juro), quando a jovem cidadã (de livre e espontânea vontade, presumo), abordou en passant o seu relacionamento com uma antiga namorada. (O jornal Público não precisará de um consultor em questões de ética e deontologias profissionais? Relembro que continuo disponível para o exercício remunerado de tal cargo). Quanto a esta notícia, nada mais tenho a acrescentar, excepto desejar as melhores felicidades à  Marta Cardoso, de 18 anos (tal como enfatiza a notícia do Público),e esperar que, sinceramente, a jovem em questão não venha a lamentar, no futuro, a mediatização a que se sujeitou.
Por outro lado, e agora vou parecer paradoxal relativamente às minhas afirmações iniciais neste mesmo texto, a sexualidade dos outros, interessa-me, e preocupa-me, quando é praticada, de forma forçada, sobre indivíduos menores ou mais fragilizados. Folheando o Jornal de Notícias, enquanto esperava pela minha vez no barbeiro, pude ler algo que cito de memória: «Director do Seminário do Fundão (Luís Mendes, 37 anos de idade), para satisfazer os seus desejos libidinosos, à noite, deitava-se na cama de alguns seminaristas. De seguida acariciava-lhes os genitais, tentava a penetração e masturbava-se. Para apaziguar os meninos, dizia-lhes aos ouvidos que ‘isto é aquilo que um pai faz a um filho que ama’».
Medo, muito medo, eis aquilo que me ocorre dizer. Esta não é uma qualquer descrição que se encontre nos escritos do divino marquês de Sade, mas sim, na imprensa nacional.
E o povo, que é que faz perante esta monstruosidade? Arregala os olhos e a boca para ver 23 bonequinhos da Playmobil a jogar à bola, e, quando lhe dá na “real gana” acende uma velinha à Nossa Senhora de Fátima, a ver se as coisas melhoram. Já sabemos, «A esperança é a última a morrer, não é?» Excepto, quando se assassina a sanidade mental de crianças com 11 ou 12 anos de idade. Aí, infelizmente, já não há mais esperança!
Claro que, aqui quem deve ser má pessoa sou eu, não é?