“Sabe porque é que está aqui?”

Hoje, foi dia de ir aos Serviços do Ministério Público dos Juízos Criminais, do Tribunal de Instrução Criminal e DIAP.
Ao contrário do meu hábito, desta vez, não me vou perder em pormenores rebuscados:
Após ter dado entrada no edifício, de seguida, fui quase imediatamente conduzido a um gabinete onde se encontrava a Srª Procuradora. Constatando a existência de um monumental ecrã, que entre nós se interpunha qual insidioso obstáculo alienígena, propus, educadamente como é meu apanágio, que seria melhor eu passar para uma outra cadeira, onde, como também é meu apanágio, eu conseguisse olhar o meu interlocutor nos olhos. Após a anuência da minha anfitriã, lá mudei de lugar para encetarmos a almejada conversa.

 enigma2Primeira questão da Exma. Srª Procuradora do Ministério Público:

– “Sabe porque é que está aqui?”

Aposto que estais tão intrigados como eu, queridos leitores! Pois que assim sendo, e porque me parece pertinente lançar-vos este desafio, vou dar-vos três hipóteses:

A)     O verdadeiro assassino do presidente norte-americano John Fitzgerald Kennedy, crime ocorrido no fatídico dia 22 de Novembro, chama-se Júlio Mendes Rodrigo.

B)      Júlio Mendes Rodrigo, ao ter dado entrada em território norte-americano, em Dezembro de 2012, omitiu (após lhe ter sido perguntado em formulário próprio) ter estado ao serviço da Alemanha nazi e daí, ter contribuído para o genocídio mais famoso da História.

C)      Júlio Mendes Rodrigo foi convocado na qualidade de DENUNCIANTE para prestar declarações no âmbito do roubo da sua viatura SMART, ocorrido em Outubro do ano passado.

Enganaram-se todos, amigos e amigas. Efectivamente, eu não sou assim tão má pessoa, ainda que o quisesse ser. Ilibado que estou dos crimes explicitados nas alíneas A e B (como alibi, tenho a minha certidão de nascimento, a qual atesta que o meu ano de nascimento é o de 1973), eis que só nos resta a alínea C.
Não me apetece ser irónico e brincar com a situação, pois que o meu estado de espírito neste momento não é dos melhores.
Mas, caramba! Não me foi roubada uma camisa, ou um pião, ou um berlinde. Foi-me roubada uma viatura que aquando da sua aquisição me custou cerca de 7.500 euros. É dinheiro! Era o meu dinheiro, ganho com o esforço do meu trabalho diário. Portanto, claro que me lembro!

Em linhas muito gerais, vou colocar-vos a par da situação:
Em 17 de Outubro de 2013 apresentei queixa numa esquadra da PSP, pelo roubo da minha viatura que estacioniei no Domingo anterior, dia 13 de Outubro, portanto, junto ao café Asa de Mosca, sito na rua Rua Duque da Terceira. Muita dor e agonia me causou esta situação como deveis imaginar. Não  precisarei de vos dizer muito mais, pois não?

Dia 07 de Novembro, ou seja, 20 dias após o crime, é proferido despacho de arquivamento do Inquérito (originado na apresentação de uma queixa contra DESCONHECIDOS), pelo Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto. Na altura, fiquei “doente” com esta agilidade estonteante e rapidez “luckyluckiana” dos departamentos em serviço da Justiça portuguesa. Ainda assim, o despacho de arquivamento frisava que o mesmo se faria sem o prejuízo da sua reabertura, caso surgissem novos elementos de prova.
E surgiram, efectivamente! Daí eu ter sido convocado para ser inquirido no âmbito da minha DENÚNCIA. (Porque deve estar em segredo de Justiça, eu não sei, ninguém me disse nada e eu não sou licenciado em Direito, mas sim em História, como sabeis, não vou entrar em demasiadas descrições.
Ainda assim, podeis ficar a saber que, a MINHA viatura foi encontrada. O facto de ter sido convocado tinha por motivo vislumbrar descortinar se existiam pontos de contacto entre a minha pessoa e alguns indivíduos indiciados como suspeitos.
Após ter sido informado de tal, a Srª Procuradora solicitou que eu desse uma leitura ao processo, a partir de determinada página, e visse se conhecia os nomes das pessoas em questão. E, frisou ainda o seguinte:
“Veja, veja, em que estado está o seu carro.” Mera insensibilidade ou prazer sádico, nessa pergunta reiterada por duas ou três vezes? Não sei, e creio que irei morrer sem ter obtido a sua resposta.
Após ter efectuado o que me foi solicitado, disse-lhe (à Srª Procuradora, obviamente) que eu gostaria de responder, mas que também gostaria de fazer uma observação. Foi esta:
“ Como deve imaginar, ver o meu carro neste estado custa muito. Mas muito mais custa viver sem saber o que lhe aconteceu ou quem o fez, portanto, gostaria de felicitar os serviços de investigação pelo excelente trabalho efectuado ao terem conseguido encontrar a minha viatura, ainda que totalmente irreconhecível. Num país como este, onde eu vivo, onde reina a incompetência e a mediocridade é quase com felicidade que eu vejo que o meu carro foi encontrado. É com um sentimento de ASCO profundo que eu interajo com as instituições que operam debaixo da alçada da República Portuguesa. Este vosso desempenho deixa-me respirar um pouco mais aliviado”.
Pois bem, a senhora demorou a responder, mas quando o fez foi para me lembrar que “ O senhor só está aqui para responder ao que lhe foi perguntado”.  Tenha pena da senhora! Ao ter de aturar tantos bandidos ficou com o coração empedernido. O meu, no entanto, ainda que com mágoa, não o está. Aguarda pacientemente pelas fases seguintes da investigação, ainda que bastante pessimista sobre o seu desenvolvimento, pois é o conhecido o estado da Justiça neste país. Não se admirem pois, se o criminoso ou criminosos forem absolvidos com obrigação de serviço comunitário, e que, eu, por muitas ironias do destino, acabe por ser preso.
Quanto aos criminosos, nem digo nada, pois não seria muito politicamente correcto. Aos investigadores/polícias (não me disseram) que descobriram o meu carro (cujo paradeiro também não me foi revelado), o meu muito obrigado por fazerem o vosso trabalho. Este agradecimento é SINCERO!
Quanto à Srª Procuradora, não lhe posso agradecer, pois o factor humano não se fez evidenciar no decurso da nossa conversa. Sugiro, ainda assim, a frequência de uma acção de formação em “Relacionamento Interpessoal”. Eu já ministrei essa formação umas quantas vezes. Garanto que os resultados são notáveis!
Ah, e já agora! Eu continuo sem uma actividade remunerada. Se o Ministério da Justiça assim o entender como pertinente, eu posso dar essas formações. Não doi nada, a sério!

Pronto! É isso!
OBRIGADINHO aos larápios (que eventualmente andaram na Novas Oportunidades), que muito contribuiram para me FODER a vida ( primeiro palavrão neste blogue!), e que de certeza irão sair-se bem desta. Eu é que, com esta “brincadeira”, se calhar ,ainda vou acabar ou preso, ou morto!