A Gnose e o Tempo

«Segundo a célebre definição platónica, o tempo que a revolução das esferas celestes determina e mede, é a imagem móvel da eternidade imóvel, que ele imita desenrolando-se em círculo. Consequentemente, todo o devir histórico e, do mesmo passo, a duração deste mundo de corrupção e geração que é o nosso, desenvolver-se-ão em círculo ou segundo uma sucessão indefinida de ciclos no decurso dos quais a mesma realidade se faz, se desfaz, se refaz conformemente uma lei e alternativas imutáveis. Não somente se conserva aí a mesma soma de ser sem que nada se perca nem se crie, mas ainda certos pensadores da Antiguidade – pitagóricos, estóicos e platónicos – chegam a admitir que no interior de cada um destes ciclos de duração, deste aiones, destes aeva, se reproduzem as mesmas situações que se produziram já nos ciclos anteriores e se reproduzirão nos ciclos subsequentes – até ao infinito. Nenhum acontecimento é único, não se realiza uma só vez (por exemplo, a condenação e a morte de Sócrates) mas realizou-se e realizar-se-á perpetuamente; os mesmos indivíduos aparecem, desaparecem e reaparecerão em cada retorno do círculo sobre si mesmo. A duração cósmica é a repetição e anakuklosis, eterno retorno.»

Henri – Charles Puech, “La Gnose e le Temps”, Eranos – Jahrbuch, XX, 1951, p. 60-61.

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