The Proles

“So long as they (the Proles) continued to work and breed, their other activities were without importance. Left to themselves, like cattle turned loose upon the plains of Argentina, they had reverted to a style of life that appeared to be natural to them, a sort of ancestral pattern…Heavy physical work, the care of home and children, petty quarrels with neighbors, films, football, beer and above all, gambling filled up the horizon of their minds. To keep them in control was not difficult.”

George Orwell, 1984

Orwell thought policeEu, ABOMINO futebol!

Espero que a utilização do verbo abominar, por mim empregue na frase anterior, não fira susceptibilidades mais sensíveis. Aliás, para aqueles mais politicamente correctos do que eu, tomo a liberdade de aqui lembrar que esta mesma palavra foi utilizada pelo quase nonagenário Dr. Mário Soares para se referir à Direita, em crónica de opinião publicada no jornal Público três semanas atrás. Desta forma, e já que um dos arautos máximos da “Democracia” neste lugar (mal frequentado, volto a repetir), se permite dar azo à utilização de um léxico de contornos ditatoriais, no mínimo, a mim, que sou um simples contribuinte (cumpridor, ao contrário dos senhores do BES, diga-se de passagem) e portador de um cartão de cidadão deste caos rectangular (vulgarmente conhecido como Portugal), assiste-me o mesmo direito, no que concerne à utilização das minhas competências linguísticas do idioma camoniano.
Num texto intitulado “O Mundial e as suas pompas”, o seu autor, Umberto Eco, esclarece-nos que o mesmo foi escrito para o Mundial de 1978, afirmando ainda que, no entanto, com poucas alterações e mais alguma paixão também serviria para o de 1982. O encanto do futebol, no entender do autor italiano, é não sofrer modificações.
Eu concordo com Umberto Eco. Ainda que um, de entre os 11 plebeus trajados de verde e vermelho, se apresente como uma reminiscência do look avant-garde de António Variações, e, ainda que, uma artista plástica obesa se permita a excentricidades barrocas, para gaudio do seu ídolo insular, as variações, relativamente ao Europeu de 2004, são mínimas. O mesmo, todavia, não acontece relativamente ao nível do poder de compra e índices de literacia de dois dos povos protagonistas das façanhas de há uma década atrás . Sim, refiro-me aos gregos, e…imagine-se…aos portugueses!
I rest my case!

Nota Bene:
É verdade, só mais uma coisa, por favor, não esquecer que: IGNORÂNCIA = FORÇA!

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