NADA DE DOGMA: Reflexões sobre uma poética do espaço cénico

13 Maio 2014 das 14.30h às 17.00h
Lab 15ISMAI
Unidade Curricular de Artes Cénicas do Curso de Artes e Multimédia
Instituto Universitário da Maia – ISMAI

aulas abertas 2014«Onde foi parar a relação característica da imagem materna para com a Terra, com o escuro e abissal do homem corpóreo, para com os seus instintos animais e a sua natureza passional, assim como para com a ‘matéria’ de modo geral?»
Carl Gustav Jung em “Os Arquétipos e o Inconsciente Colectivo”

O “movimento” visionário- místico, preconizado por Richard Wagner, cujo principal contributo teórico nos é fornecido através da sua “Gesamtkunstwerk”, ou seja, a obra de arte total, originou, indubitavelmente, muitas das inovações introduzidas nas Artes Cénicas no decurso dos últimos cem anos. Esta síntese das artes almejava um fim comum: oferecer à Humanidade a imagem do mundo. Ou seja, uma apreensão o mais completa possível da “Imago Mundi”, que, realmente, efectivasse o mais antigo sonho demiúrgico do Homo Faber. No entanto, este contributo inequívoco da escola wagneriana é complementado, com a criação de uma certa hermenêutica simbólica-materialista e alquímica, surgida nos campos da investigação do Imaginário. Contrapondo a priorização da Imaginação Reprodutora, preconizada pela tradição filosófica Racionalista (em que a imagem seria um mero resíduo do objecto percepcionado e retido na memória, ou seja, apenas uma reprodução da realidade, justificadora do mundo tal como ele parece ser, um mundo de ilusões), as reflexões encetadas, inicialmente por Jung, e posteriormente, por Gaston Bachelard, em torno da noção de Imaginação Criadora, estão na base de uma alternativa hermenêutica à lógica dissociativa do paradigma vigente, responsável pela disjunção entre Racionalidade e Imaginação Simbólica, que, no entanto, começa a ser revista na nossa contemporaneidade. As imagens imaginadas evidenciam sublimações dos arquétipos e não meras reproduções da realidade. Mais que tudo, as imagens, são emanações primordiais e atemporais de uma matriz comum a que damos o nome de Inconsciente Colectivo.

erik desmazieres

Júlio Mendes Rodrigo é licenciado em História, com uma pós-graduação em Museologia e uma Especialização em Arte Multimédia, pela Faculdade de Belas Artes do Porto.
É autor do livro “Summa Techno(i)logicae” (2010), escreve com regularidade no seu blogue pessoal, Die Elektrischen Vorspiele, e em várias publicações nacionais. Das suas áreas de interesse destaca-se a História Comparada das Religiões, a História da Filosofia Hermética e História das Correntes Esotéricas Ocidentais. Exerce funções editoriais na Coloana Infinita Editora. Apresenta o programa radiofónico “O Arranca Corações”, transmitido semanalmente na Rádio NFM. Organiza ainda regularmente eventos literários e musicais.
Desde 1997 tem desenvolvido a sua actividade profissional nos domínios da Educação e da Formação Profissional.

As Aulas Abertas, organizadas para a Unidade Curricular de Artes Cénicas, do Curso de Artes e Multimédia, são um convite dirigido a toda a comunidade do ISMAI interessada em assuntos relacionados com as artes cénicas e performativas. Junto com esta comunidade, convida-se também a comunidade artística (nas dimensões teóricas e práticas) a assistir e participar.