Elementa

(…) Diz-me qual é teu fantasma: o gnomo, a salamandra, a ondina ou a sílfide? Por acaso já não se observou que todos esses seres quiméricos são formados e nutridos de uma matéria única? O gnomo terrestre e condensado vive na fenda do rochedo, guardião do mineral e do ouro, repleto das substâncias mais compactas; a salamandra de fogo devora-se em sua própria chama; a ondina das águas desliza-se sem ruído sobre o lago e alimenta-se de seu reflexo; a sílfide, a quem a menor substância pesa, a quem a menor quantidade de álcool amedronta, que se zangaria talvez com um fumante que “suja seu elemento” (Hoffmann), eleva-se sem dificuldade no céu azul, satisfeita com a sua anorexia (…)

Gaston Bachalard in “A Psicanálise do Fogo”, São Paulo: Martins Fontes, 1999.

Inspiradora passagem, retirada da obra do célebre autor francês, acerca da “alquimização” do devaneio poético, com um forte tempero ao sabor da Teoria dos Quatro Elementos da física aristotélica, alicerce metodológico de suporte a toda a Metafísica Poética de Bachelard.

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