Nuit et Brouillard: In Memoriam ov Alain Resnais

Toute la Memoire du MondeFotograma do filme Toute la Memoire du Monde aka All the Memory of the World (1956) de Alain Resnais

O anjo Malach HaMavet (em hebraico: מַלְאַךְ הַמָּוֶת) prossegue imperturbavelmente, e de forma metódica, o seu labor. Dizem que nos calha a todos, ter o nosso nome no seu ancestral caderninho negro. Caderninho negro, onde, diariamente são riscados uma imensidão de nomes, uns mais obsoletos que outros, é verdade. No primeiro dia, deste mês de Março que já se começa a “ir”, foi chegada a vez de Alain Resnais. Nãos nos entristeçamos, pois teve uma longa (e presumo que próspera) vida. Foi um dos maiores cineastas de todos os tempos e, a par de Derrida, um dos poucos franceses que cultivavam a arte de bem-vestir. Essa também é uma arte importante mas, nos dias que correm, infelizmente, cada vez menos amanhada. Para a História fica o seu macabramente belo e poético olhar sobre os campos de concentração alemães. Um ano depois de ter realizado Nuit et Brouillard, realizou Toute la Memoire du Monde, e eu, que cada vez menos gosto de pessoas e, por consequência cada vez mais gosto de livros, entendo que a melhor forma de homenagear a memória de um dos meus realizadores favoritos é deixar-vos ficar com este mesmo filme cujo protagonista é a Biblioteca Nacional de França.

Ars Longa Vita Brevis!