O sentido do fim ou um fim consentido?

No próximo dia 27 de Fevereiro às 21.30h, terá lugar na Fundação de Serralves o encerramento do Ciclo de conferências “O Estado das Coisas / As Coisas do Estado“.

«Numa altura em que Portugal vive numa situação de urgência e de auxílio assistido, como um paciente sem autonomia respiratória e alimentar e sujeito a um tratamento violento para poder sobreviver sem assistência, nunca é demais reavaliar o diagnóstico e as terapêuticas aplicadas.»
Diz-nos a organização deste ciclo de conferências!

clydesnowpresentsaslideoftheskulloflilianapereyrainthe1985trialofmembersoftheargentinejuntaforcrimescommittedinthedirtywar1976-1983Clyde Snow presents a slide of the skull of Liliana Pereyra, in the 1985 trial of members of the Argentine junta for crimes committed in the ‘dirty war’ (1976–1983).

Estas sessões, comissariadas por Paulo Cunha e Silva, têm o seu epílogo com alguns nomes bem interessantes. A conversa será moderada por Maria João Seixas (das poucas pessoas a mostrar o cinema de Leni Riefenstahl aos portugueses ,como está na moda dizer) numa altura, em que existia verdadeiro serviço público televisivo (volto a repetir-me).Os restantes convidados são Pacheco Pereira, Eduardo Lourenço, e o filósofo José Gil, que nos brindou na passada sexta-feira, na Aula Magna da FBAUP, com uma excelente prédica acerca do Caos e o Processo Criativo.
José Gil é o autor do incontornável Portugal, Hoje — O Medo de Existir, onde aborda traços de mentalidade (desde a inveja à dificuldade de «inscrição») que por serem particularmente acentuados no nosso país, entravam o seu desenvolvimento, abertura ao exterior, e, sobretudo, a sua dinâmica interna. Por «dinâmica interna» José Gil entende «um movimento profundo, para além do plano sociológico, que faz mexer as pessoas e as liberta para todo o tipo de procuras, invenções, experimentações nas várias dimensões da vida». José Gil foi considerado, no número especial do Le Nouvel Observateur, de Dezembro de 2004, como um dos 25 «grandes pensadores» de todo o mundo, ao lado de Richard Rorty, Peter Sloterdijk, Toni Negri e Slavoj Zizek.

Esta conferência parece-me, portanto, uma excelente proposta para um serão de quinta-feira, bem longe das cacofonias televisivas e dos futebóis.

Não resisto a uma breve nota acerca da imagem por mim escolhida para ilustração desta entrada. Será que ainda vai passar muito tempo até termos os criminosos de colarinho branco em tribunal, (de preferência não colaboracionista), a responder pelos crimes praticados ao longo de décadas? Ou será que, como afirmavam os Crisis (formação pré-Death in June), “We Are All Jews and Germans”?

Informações mais detalhadas acerca deste evento podem ser obtidas AQUI