Apostasia

Texto originalmente publicado no 30º número da revista Infernus, órgão oficial de expressão da ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE SATANISMO.

«The idea of an incarnation of God is absurd: why should the human race think itself so superior to bees, ants, and elephants as to be put in this unique relation to its maker?. . Christians are like a council of frogs in a marsh or a synod of worms on a dung-hill croaking and squeaking for our sakes was the world created. »

Flavius Claudius Iulianus

Edward_Armitage_-_Julian_the_Apostate_presiding_at_a_conference_of_sectarian_-_1875Edward Armitage Julian the Apostate presiding at a conference of sectarian 1875

Stigmata Diaboli

Ao contrário de muitos outros leitores, a minha introdução aos escritos de Anton Szandor LaVey, não se consumou através da leitura da obra incontornável que é, de facto, a “Bíblia Satânica”. Estávamos em meados da década de 1990, quando um amigo de infância me apresentou aquele, que, na altura, foi o admirável mundo novo da Church of Satan.
Adquirido em Amesterdão, por esse meu amigo, e por mim fotocopiado, “The Devil’s Notebook”, tornou-se livro de cabeceira até eu ter, finalmente, adquirido, anos mais tarde, numa pequena livraria de Estocolmo, a obra seminal de LaVey.
Foram as leituras destas obras, que me ajudaram a consolidar o meu posicionamento perante o Reino da Quantidade que caracteriza as ruínas sobre as quais assentam os pilares basilares deste Mundo (pós) Moderno. Leituras que me animaram durante os dias cinzentos da Universidade. Não que os escritos de LaVey contenham quaisquer tipos de panaceias para indivíduos de estirpe inquieta, ou mesmo, portadores da bílis negra que caracteriza o melancólico. No meu caso, em particular, permitiram-me consolidar e sistematizar todo um conjunto de preceitos e imperativos morais e éticos que, já na altura, norteavam a minha existência. Creio que uma das principais qualidades dos escritos de LaVey reside no facto de permitir que alguns indivíduos consigam estabelecer uma (re) ligação a si próprios, e à sua verdadeira essência, ao constatarem que existe uma minoria que sente e pensa a Existência, tal e qual como eles próprios.
Religare, não é essa a base etimológica da palavra religião? Creio que não existirá palavra que pela ausência da aplicação do conceito que encerra melhor defina o mal do qual padece a Humanidade, nesta que é a Era do Fragmento.
γνῶθι σεαυτόν,é o aforismo que se encontrava inscrito no Templo de Apolo em Delfos, mas que, ainda assim, volvidos milénios, tende a ser esquecido. Paradoxalmente, este mesmo aforismo, encontra-se na base de muito daquele que é considerado como “esoterismo de pacotilha” ou de “prateleira de supermercado”, para utilizar a terminologia empregue por um amigo que muito estimo.
O facto de levar uma vida dividida entre a introspecção do ser anti-social e as obrigações de cariz profissional contribuíram para a circunstância de só tardiamente ter tomado contacto com aquele que é o órgão oficial de expressão da Associação Portuguesa de Satanismo.
Leitor assíduo da Infernus, a partir do seu número XVII, o meu primeiro contributo para esta publicação intitulou-se “GALLAECIA Entre as Brumas do Mito”, e consistiu num texto escrito em colaboração com José de Almeida, publicado na Infernus XIX. Os restantes contributos, em nome próprio, iniciaram-se a partir do número XXII da revista, após convite efectuado por Lurker, e que muito me honrou.
Estes contributos tiveram o seu início no Equinócio de Outono de 2011 e.v e consistiram nos seguintes textos: “C.G. Jung e as Coisas Vistas no Céu”; “Moon’s Milk”; “Theologia Theatrica: uma aproximação a Klossovski”; “Acheronta Movebo”; “Evento Violento Desconhecido”; “Nupta Cadavera: um prelúdio à putrefacção”; “Na Corte de Lúcifer” e ainda “Primo Posthuman: de artificialis natura”.
Foi sempre com um enorme entusiasmo e sentido de obrigação para comigo mesmo, mas também para com os editores, bem como para com os leitores da Infernus, que ao longo destes anos fui redigindo os textos supra elencados. A importância que atribuo a estes contributos é incomensurável, pois permitiu-me explorar e aprofundar algumas daquelas que constituem as minhas “pequenas obsessões”: refiro-me à vida e obra de Carl – Gustav Jung; à música dos Coil; à paz de espírito proporcionada pelo contemplar da Lua; ao génio exuberante de Pierre Klossovski; ao cinema de Alfred Hitchcok, espelhado na sua obra-prima que é “Os Pássaros”, ao mysterium tremendum et fascinans que é a Morte; ao maniqueísmo evidente na Heresia Cátara e ainda às temáticas circunscritas aos campos do Tradicionalismo, Pós-humanismo e Tecnognosticismo que, julgo, perpassam, de maneira mais ou menos evidente, os meus escritos.
Creio ainda que, de forma mais ou menos explícita, estes textos, a par de um quadro de actividades desenvolvido noutras esferas, espelham os meus posicionamentos e opções estéticas e ideológicas, reflectem a minha mundividência pessoal e, em última instância me caracterizam enquanto Indivíduo.

Summum Malum

«No dia em que perecer a eloquencia, perecerá a Hellada e perecerá Roma! As pessoas transformar-se-hão em animaes mudos e é exactamente para atingir esse fim que os pregadores christãos empregam o seu bárbaro estylo.»

Lampridio em “A Morte dos Deuses, o romance de Juliano Apóstata” de Dmitry Merezhkovsky

4-Sasha Sleider_The Mammon and its slaveSasha Sleider The Mammon and its slave

Foram publicadas, muito recentemente, em Portugal, duas obras, que, quase de certeza, irão passar ao lado de todos quantos não possuem um espírito inquieto. Na verdade, são dois livros que, no meu entendimento, deveriam ser de leitura “obrigatória” para todos aqueles que preferem um lugarzinho confortável na manada. Refiro-me a todos os que passam o tempo a falar da vida alheia, aqueles que não se emancipam da sua condição de espectadores e que esbugalham os olhos perante qualquer manifestação desportiva ou reality-show. A todos quantos se deleitam em visionar, ou então, em participar, em espectáculos degradantes, como “Quem Quer Ser Otário”, ou as “Tardes da Júlia Dinheiro” (Lamento, mas foi-me impossível resistir ao trocadilho). Mas, refiro-me, também, aos ex-ministros deste país que apesar de mentirem acerca das suas habilitações académicas, acabam homenageados pela Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro (Expresso online, 12/09/13). Em suma, faço alusão, obviamente, a todos Zés e Marias Ninguém, magistralmente retratados por Wilhem Reich, o mesmo que nos deu a conhecer a sua teoria acerca do Orgone, e pela qual expiou os seus “pecados”.
As duas obras em questão, “Nova Teoria do Mal” (2012) e “Nova Teoria da Felicidade” (2013), são da autoria de Miguel Real, pseudónimo literário de Luís Martins. O autor foi galardoado em 2006, com o Prémio Literário Fernando Namora através do seu romance “A Voz da Terra”. Escritor, ensaísta e professor de filosofia, exerce também o papel de radialista na Antena 2, mais concretamente, no programa Um Certo Olhar.
Acerca desta duas obras de Miguel Real, tentarei não pronunciar nenhum rasgado elogio, nem nenhuma crítica negativa, esperando desta forma lacónica, não ser incluído na categoria daqueles que o autor considera acéfalos, nem sequer na categoria daqueles que o autor considera estarem imbuídos de má-fé. Diatribes aparte, atentemos, ainda que brevemente, nas obras em questão.
Na apresentação da “Nova Teoria da Felicidade”, o autor enfatiza, de forma contundente, a sua opinião já anteriormente referida na “Nova Teoria do Mal”, sobre a classe política que (des)governa Portugal. Elencarei de seguida algumas das suas opiniões, acerca desta matilha, (esta qualificação é apenas da minha responsabilidade), pelo facto de estar em acordo com as mesmas.
Miguel Real crítica a existência de uma classe política culturalmente ignorante (como se evidencia através da anulação de feriados históricos) e socialmente oportunista (ocupação de cargos por apropriação carreirista sem mérito próprio). Em linhas gerais, o autor descreve um modus operandi, que se vê quotidianamente justificado, legitimado e reforçado, pela sensação de total impunidade vigente. Não esqueçamos que a incompetência e a desonestidade, ao que parece, acabam por compensar. Pelo menos em terras lusas. Assim, ainda de acordo com o autor em causa, “ O Estado português é, desde os primeiros anos do nosso século, uma máquina implacável e aterrorizante da generalização da infelicidade, individual e colectiva.” Generalização da infelicidade individual, com certeza que sim, pois já a senti na pele. Colectiva? Tenho as minhas dúvidas, uma vez que nunca deixo de me surpreender pelo “nacionaleirismo” hiperbolizado, constatável nos esgares da turba, sempre que se verifica qualquer evento futebolístico de cariz internacional. Ou seja, a mesma pobreza de espírito que justifica e simultaneamente ilustra os cartazes de propaganda política que poluem o território. Paupérrima imitação de um 1984 Orwelliano. Nesse, ao menos, transparece algum glamour.
Este Estado, pejado de agentes que actuam sempre em interesse próprio, ou então da máquina sustentadora (leia-se Partido), assim como dos seus pares, torna-se um mecanismo potenciador e promotor da banalização do Mal, na acepção cunhada por Hannah Arendt. Banalização, que ocorre num Estado dito laico, mas em que, todos nós o sabemos, a Igreja Católica ocupa um lugar de privilégio. Inaudito é o exemplo da colocação de Professores de Religião Moral e Católica nas Escolas Públicas. Não obstante, os concursos e respectivas nomeações serem da responsabilidade das autoridades diocesanas, os seus honorários são tributados ao Estado. (Remeto o leitor interessado neste ponto, para a consulta do Decreto-Lei n.º 70/2013 de 23 de Maio.)
Escrevi, uma vez, no meu blogue pessoal, um conjunto de reflexões acerca da impunidade da Igreja Católica, perante os crimes, mais recentes, que lhe são atribuídos. Neste conjunto de reflexões, de forma mais ou menos implícita, estava uma crítica à afinidade electiva existente entre aqueles que exercem o poder temporal e os que exercem o poder “espiritual”. Recordo agora algumas dessas reflexões: No site do jornal “Público” no dia 12 de Abril 2010, lia-se o seguinte, “Igreja Belga não deu seguimento a 300 denúncias de pedofilia”. Ora bem, se já estávamos esclarecidos acerca da “Vida Sexual dos Belgas” através do olhar fornecido pelo realizador Jan Bucquoy, e depois das sórdidas revelações da rede pedófila instituída em território flamengo nos anos de 1990, já não ficamos surpreendidos com a denúncia feita pelo padre Rick Devillé. Entre 1992 e 1998, foram apresentadas mais de 300 queixas de abusos cometidos por padres, pelo grupo de trabalho, “Direitos Humanos na Igreja”. De acordo com afirmações prestadas pelo referido clérigo aos jornais “De Standaard” e “Het Niewslad”, das três centenas apenas 15 tiveram sequência, “Os padres postos em causa mais vezes foram transferidos, mas nunca houve sanções”, refere o mesmo, adiantando ainda que muitas das vezes foi dito às vítimas que os crimes tinham prescrito. Ao que parece o porta-voz da Conferência dos Bispos Católicos na Bélgica, Eric De Beukelaer terá, finalmente, decidido propor uma comissão de inquérito sobre a forma como a Igreja tratou no passado os casos de pedofilia.
Depois de séculos, de permanente preocupação por parte da Igreja em defender a Humanidade das Forças do Mal representadas por bruxas, pagãos e satânicos, entre outras entidades, e sendo que, tais actos, perpetrados contra vítimas inocentes seriam expectáveis por parte de “monstros” e “celerados” como Gilles de Rais, Madame Bathory, Charles Manson, G.P – Orridge, A.S. LaVey, do próprio Marylin ou mesmo do falecido ex Jackson Five – apenas para citar alguns – não consigo deixar de me interrogar do porquê de tais acusações dirigidas contra os emissários da Paz e Concórdia entre os Homens… (Também aqui não consegui resistir a um tom levemente irónico).
À guisa de reflexão em torno desta miséria física e moral (Paidos e Erastes), ou seja as práticas eróticas com crianças na acepção sugerida pelo Sr. Álvaro Maia, aquando da redacção do seu texto ”Literatura de Sodoma: O Sr. Fernando Pessoa e o ideal estético em Portugal
1923) não resisto a sugerir a audição do álbum Industrial/ Power Electronics/ Noise, dos Grey Wolves intitulado “Catholic Priests Fuck Children”.

Aliados, os dois poderes, o temporal e o espiritual, justificam e promovem a banalização do Mal!

Religio Illicita

«37. Voici de leurs maximes: “Loin d’ici, tout homme qui possède quelque culture, quelque sagesse ou quelque jugement; ce sont des mauvaises recommendations à nous yeux: mais quelqu’un est il un ignorant, borné, inculte est simple d’esprit, qu’il vienne à nous hardiment! »

CelseDiscours Vrai Contre les Chrétiens

pl15O desaparecimento dos deuses da Antiguidade, tão bem retratados no domínio da ficção através das obras de Dmitry Merezhkovsky e de Gore Vidal, levou a um dos episódios mais tristes da História da Humanidade, ou seja, ao triunfo da Fé do nazareno.
Seguindo ainda Miguel Real, através da obra anteriormente citada, as concepções humanas reduzem a quatro as faces primitivas do Mal: a perda, a dor física, o sofrimento psíquico e a escassez de bens.
Curiosamente nascem civilizações, bem como culturas e religiões, em locais onde dominam estas facetas primitivas do Mal. Do deserto e da penúria emergem Assíria, Babilónia, Pérsia, Judeia e Egipto. Daí nasce também o cristianismo que, espalhando-se através das metrópoles mediterrânicas, se assenhora do poder político. É um deus perverso, este, que se expandiu através do Mediterrâneo, da Europa e posteriormente, a todo o planeta, através da Expansão Marítima. Esta divindade acrescentou duas novas faces às antigas quatro faces do Mal: o corpo (a carne) e o mundo. Locais onde passa a reinar o Diabo apresentado de forma inequívoca como o deus do Mal.
Por uma questão de economia de espaço, bem como pelo facto da relação entre o Mal e a divindade cristã se encontrar explanada de forma superior na obra de Miguel Real, elencarei apenas os motivos que corroboram como o cristianismo foi um retrocesso civilizacional face à Civilização Greco-Romana, constituindo uma desvalorização: da riqueza material em troca do elogio da pobreza; da sabedoria em troca do culto da ignorância, do espírito de convívio (ágora, fórum) em troca do espírito de suspeita; do espírito de curiosidade e investigação em troca do espírito de medo; da liberdade animal do corpo em troca de uma mentalidade de vergonha e de pudor.

Sol Invictus

O Imperador Juliano (Constantinopla, 331Maranga, actual Samarra, 23 de Junho de 363) cognominado de Apóstata foi o último imperador pagão do mundo romano. Dele ainda se desprende um fascínio romântico, reflectido nas obras de diversos autores, tais como, – para além dos já anteriormente citados no decurso deste texto – Henrik Ibsen ou mesmo Lourenço de Médicis, que lhe dedicaram duas das suas peças teatrais. Personagem subterrânea e tutelar, Juliano, ilustra o inconformismo perante o triunfo da religião do nazareno, que se manifestou através do reavivar dos antigos cultos pagãos, destacando-se o de Mitra.
Ernest Renan, escreveu uma vez o seguinte: “If Christianity had succumbed to some deadly ‘disease’, the world would have become Mithracized.” Ou seja, em vez do nazareno o mundo adoraria uma divindade solar, representada através do Mitra Tauróctono. Em consonância com filósofo italiano Julius Evola, tenho as minhas dúvidas. Para que tal tivesse acontecido teria sido necessário que o Mitraísmo tivesse adoptado uma componente exotérica de forma a atrair a populaça. Nunca esta estaria em condições de aderir a uma religião de mistério, que tem as suas origens no Mazdeísmo persa.
Celso, no seu “Discurso Verdadeiro Contra os Cristãos”, enfatiza o facto de que, apenas os néscio e os “pobres de espírito”, são dignos do deus nazareno:…en reconnaissant que tels hommes sont dignes de leur dieu, ils montrent bien qu’ils ne veulent et ne savant gagner que les niais, les âmes viles et imbéciles, des esclaves, de pauvres femmes et des enfants.” Pergunta ainda de seguida o filósofo: “ Quel mal y a-t-il donc à avoir l’esprit cultivé, à aimer les belles connaissances, á être sage et à passer pour tel?”.
Nenhum mal, atrevo-me a responder. Excepto para os sequazes do nazareno – que como ficou bem evidenciado através das páginas sangrentas que escreveram, ao longo de séculos – privilegiam o temor e o terror, aliados a uma política de controlo das liberdades pessoais, em prol de um deus obtuso e obsoleto.
A multiplicidade do culto dos deuses na Antiguidade Clássica constitui uma das mais belas páginas nesse capítulo da História da Humanidade, que é o da Religião. Urge esquecer o cadáver moribundo do cristianismo e inaugurar um novo capítulo que instaure a fase adulta da Humanidade. Os passos iniciais já foram dados por homens de excepção como, Aleister Crowley ou LaVey. Cumpre agora, a todos que possuem esta inquietude e sentem este mal-estar provocado pela iniquidade cristã, fazer a pergunta “Comment peut-on être païen?
Alain de Benoist, em 1981, deu-nos parte da resposta, ao propor-nos que atentássemos, de novo, no legado da Antiguidade Clássica. Quiçá, apenas um neopaganismo consiga proceder á hipostaziação do Mal, recolocando a Humanidade em sintonia com a Natureza, e em última instância consigo própria.
Partindo da premissa de que a História é símbolo e mito, subscrevo na íntegra a opinião de Julius Evola, quando este enfatiza a possibilidade da dramatização e repetição rítmica, ocorrida através de certos factos ou personagens históricos, e que contêm de forma intrínseca à sua essência, estruturas e símbolos supra-históricos.
Estes factos, ou personagens, assumem, desta forma, uma ambivalência que lhes outorga a qualidade de pertencerem simultaneamente a tempos distintos. Contenham eles uma carga histórica ou simbólica, podem ser transportados e recontextualizados através de diferentes períodos temporais. De forma que, a Humanidade, tome contacto com as lendas que compõem um substrato comum a uma certa unidade mítica transcendental. Neste manancial mítico e lendário encontramos certos personagens que são transportados, à margem de uma perspectiva histórica mais positivista, para o domínio do “invisível” mas ” nunca mortos”, e que hão-de levantar-se ou manifestar-se um dia, após um certo tempo de obscuridade. Como nos refere António Carlos Carvalho no prefácio à obra “História Secreta de Portugal” de António Telmo: “ …são os casos bem conhecidos de Alexandre o Grande, do Rei Artur, do imperador Frederico, e até do nosso D. Sebastião, todos eles encarnações do mesmo tema.”. A estes, eu adiciono a figura de Juliano Apóstata, que de acordo com o que pensavam os Gauleses, vive debaixo de uma montanha.

pl14Sathanas, Triumphator!

Foi, sempre, alicerçado nas linhas de pensamento anteriormente expostas, pelas quais se regem as minhas convicções, que tentei contribuir para o esforço colectivo que constituiu a Infernus.
Nesta publicação, que os seus editores agora dão por extinta, tive a honra e o privilégio de partilhar páginas com mentes inquietas que são apenas apanágio de indivíduos de excepção. Alguns, que eu já conhecia pessoalmente, outros que entretanto tive a sorte de conhecer no decurso destes dois anos de colaboração. Entre eles destaco os nomes de Lurker, Gilberto de Lascariz, Melusine de Mattos, :.gmr:., Flávio Gonçalves, Bruno Resende e Fátima Vale. Outros ainda, que eu não conheço pessoalmente, mas cuja prosa fui seguindo sempre com grande interesse. São eles, Mosath, Aires Ferreira, David Soares e Charles Sangnoir.
Uma nota de agradecimento final é dirigida ao Lurker e demais elementos da Associação Portuguesa de Satanismo por terem concebido e realizado este projecto editorial que agora finda as suas actividades.

Foi para mim uma enorme honra ter feito parte do mesmo!

Saint Julian

Porto, Setembro 2013 era vulgaris

2-unknown authorBibliografia 

CELSE Contre Les Chrétiens. Utrecht: Jean-Jacques Pauvert, 1965.
EVOLA, Julius – The Path of Enlightnement in the Mithraic Mysteries. Edmonds: The Alexandrian Press, S/D.
JULIEN Oeuvres Complètes. Paris: Henri Plon, Libraire – Editeur, 1863.
LAVEY, Anton Szandor – A Bíblia Satânica. Parede: Edições Saída de Emergência, 2010.
LAVEY, Anton Szandor – The Devil’s Notebook. San Francisco: Feral House, 1992.
MERZHKOVSKY, Dmitry Sergeyevich – A MORTE DOS DEUSES, O Romance de Juliano Apostata. Porto: Livraria Moreira – Editora, 1901.
PAIVA, Almeida –O MITRAÍSMO, Notas Históricas e Críticas Sobre o Cristo e o Cristo Judeu. Porto: Tip. da Empresa Literária e Tipgráfica , 1916.
REAL, Miguel – Nova Teoria da Felicidade. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2013.
REAL, Miguel – Nova Teoria do Mal. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2012.
REICH, Wilhem – Escuta, Zé Ninguém. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1978
VIDAL, Gore – Juliano. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1990.