Gabriele d’Annunzio

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“…fa come natura face in fuoco”

Dante

Existem artefactos que pela sua existência mítica, se tornam objectos de desejo e por vezes alvo de um certo “fetichismo”, recordamos que este galicismo deriva do português feitiço ,que designa um objecto material ao qual se atribuem poderes mágicos ou sobrenaturais.

Alguns dos meus objectos fetiche de eleição são os livros. Há vários anos que procurava as obras de Annunzio (1863/1938). Como diz o velho e sábio dito popular, “Não há fome que não dê em fartura!”

Hoje, num antiquário da Rua Rodrigues de Freitas, Porto, encontrei 5 obras do célebre autor, a  saber:

“La Gloria”, (edição italiana de 1919); e as edições francesas, “Le Feu”(s/d); “Les Victoires Mutilées”; “Francesca de Rimini” e “l’Intrus” todas de 1926.

 Considerado um precursor do fascismo italiano, ficou célebre pela efémera República de Fiume,(destacada na obra de Hakim Bey, TAZ, no capítulo intitulado, “A Música como Principio organizacional”http://www.hermetic.com/bey/taz3.html#labelMusic ) quando escreveu em conjunto com Alceste de Ambris a sua Constituição.

A Constituição estabelecia um estado corporativista, com nove corporações para representar diferentes sectores da economia (empregados, trabalhadores, profissionais), bem como uma “décima”, representação dos “humanos superiores” (heróis, poetas, profetas, super-homens). A Constituição declarava também que a música era o princípio fundamental do Estado.

Como objectos de desejo, que a demora em encontrar prolongará o prazer da sua descoberta subsistem ainda, do mesmo autor, “Il trionfo della morte” e “Le martyre de Saint Sébastien”, colaboração musical que encetou com Debussy.