É com grato prazer que informo, que a próxima edição da Negra Tinta Editorial já se encontra no prelo. O livro, “ A Alma do Índio” de Charles Alexander Eastman (Ohyesa) foi originalmente publicado em 1911.
Volvido um século, a Negra Tinta Editorial, decidiu dar à estampa esta nova edição, que conta com prefácio e tradução de Rodolfo Oliveira, bem como com um Introitus assinado pelo Professor Doutor João Teixeira Lopes.
Estão previstas duas apresentações desta obra para os dias 12 de Março (Faculdade de Letras da Universidade do Porto) e 15 de Março (FNAC do Mar Shopping).
Em breve disponibilizarei mais dados acerca das mesmas.
“A edição da obra “ A Alma do Índio” constitui um marco significativo para a Negra Tinta Editorial. Para além de ser o nosso décimo lançamento, é também, o livro que inaugura aquela que queremos que seja, doravante, uma das nossas principais linhas de acção editorial. Assim, a recuperação e recontextualização, gráfica mas nunca ortográfica, daquelas que consideramos obras-primas deste património Comum da Humanidade, e que transmitam a perenidade imaterial daqueles ensinamentos que contribuem para a nossa matriz Humana Comum, assume-se como cruzada pessoal por parte dos editores que assinam esta nota.
Quiçá, pela manifestação de energias que operam ocultas debaixo das matrizes primárias e visíveis do nosso Quotidiano Cinzento, quiçá, através da manifestação de uma sincronicidade, mais vulgarmente designada como coincidência significativa, quis o “acaso” que o nosso caro amigo Rodolfo Oliveira nos abordasse no sentido de publicarmos a sua tradução deste livro da autoria de Ohyesa, o célebre escritor, mais conhecido como Charles A. Eastman.
Na obra “Modern Man in Search of a Soul”, Carl Gustav Jung, relata a confidência que um seu amigo, índio norte-americano, lhe terá feito acerca do Homem Branco. Para ele e para o seu povo, os brancos, eram seres que provocavam estupefacção. Com os seus narizes compridos, com os seus lábios finos, mas cruéis, os brancos eram considerados como loucos. Não será difícil para o leitor contemporâneo, após a leitura desta obra que agora damos à estampa, imaginar a estranheza com que se terão confrontado os índios norte-americanos, quando as suas imaculadas pradarias foram invadidas pelo fragor e rebuliço ensurdecedor, levado de forma “generosa “ e sempre imbuída das” melhores intenções”, pelos profetas e arautos de uma modernidade castradora das liberdades ancestrais. Também nós, à semelhança de Ohyesa e dos seus contemporâneos, passamos a ver a Natureza através dos meios de reprodução mecânica, conferindo-lhe importância mediante o seu valor em dólares ou em euros. Também nós deixamos de prestar culto às árvores e de lhes prestar a devida reverência. Também nós, na nossa materialidade líquida, tão pós-moderna vemo-nos, de forma quase paradoxal, reconstruídos, “ tal como as pedras naturais se vêm reduzidas a pó e transformadas em blocos artificiais, a fim de edificarem as paredes da sociedade moderna.”
Ousa assim o autor e, por eles conduzidos, ousam os editores partir em busca de um tempo e um modus vivendi perdidos na voracidade insensível da dita idade moderna.
Com Eastman fazemos mais do que uma viagem ao passado. Ousamos caminhar de encontro à essência do homem e da natureza.
Fica o desejo vincado que esta “roadtrip” de almas e retinas leitoras pela páginas desta obra de Eastman se transformem não numa simples viagem pioneira imaginária ao cenário idílico das pradarias, vales e montanhas que se transformaram no traço icónico americano, mas sim um roteiro de conhecimento alargado da diversidade humana e da verdadeira assunção da inexistência de um único padrão comportamental, de uma única forma de vida e, algo que assuma foros de ridícula ostentação de poder, de um único modelo civilizacional a que, muitas vezes erradamente, chamamos progresso.”
Joaquim Amândio Santos Júlio Mendes Rodrigo Editores



















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